
"O papa nos ouviu. Ele ouviu três das muitas histórias que temos para compartilhar" e "acenou com a cabeça enquanto nossos sobreviventes contavam suas experiências", disse Cassidy Caron, presidente do Conselho Nacional Mestiço, a repórteres no final da reunião.
"Senti um pouco de pena por suas reações (...) As únicas palavras que ele falou em inglês foram: 'verdade, justiça e reparação'. Eu considero isso um compromisso pessoal", acrescentou Caron do lado de fora da Praça de São Pedro.
"Esperamos que na sexta-feira, durante a audiência com todos, o papa reconheça o que compartilhamos com ele" e que isso "leve a um pedido público de perdão quando ele visitar o Canadá", disse ele, referindo-se à possível viagem a esse país, cuja data poderá ser anunciada nessa ocasião.
Francisco deve juntar-se ao pedido de perdão feito pelos representantes de outras igrejas cristãs envolvidas nesta tragédia como um gesto destinado a fechar as feridas.
Foi o primeiro de uma série de encontros no Vaticano com 32 representantes dos povos nativos do Canadá, que viajaram a Roma e ao Vaticano acompanhados de bispos daquele país, para realizar encontros individuais com o pontífice ao longo da semana.
A Igreja Católica do Canadá apresentou um pedido formal de desculpas aos povos indígenas em setembro de 2021, após a descoberta de mais de 1.000 túmulos perto de antigos internatos, onde as crianças foram isoladas de suas famílias, língua e cultura, como uma política de assimilação forçada das chamadas Primeiras Nações.
A descoberta em fevereiro de mais 54 sepulturas sem identificação em dois antigos colégios residenciais católicos para nativos, somando-se aos outros túmulos, mais uma vez chocou o país, lançando luz sobre uma página sombria da história.
Entre o final do século 19 e a década de 1980, cerca de 150.000 crianças indígenas, mestiças e esquimós foram recrutadas à força por 139 internatos no Canadá.
Milhares deles morreram, a maioria por desnutrição, doença ou negligência, no que o Comitê para a Verdade e Reconciliação chamou de "genocídio cultural", de acordo com um relatório de 2015. Outros foram abusados física ou sexualmente.
