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Estado de Minas LIMA

Ex-presidente Fujimori é internado às pressas após problema cardíaco


03/03/2022 22:03

O ex-presidente peruano Alberto Fujimori foi internado às pressas nesta quinta-feira, após sofrer um problema cardíaco na prisão, informou à AFP seu médico pessoal, Alejandro Aguinaga.

"Ele se desestabilizou às 7h e começou a ter uma fibrilação atrial com arritmia, o que obrigou a levá-lo ao centro de saúde mais próximo" da base policial onde ele cumpre uma pena de 25 anos desde 2007, disse Aguinaga.

Fujimori, 83 anos, foi "estabilizado no Hospital de Ate", acrescentou o médico, que é congressista do Força Popular, partido fujimorista. Em seguida, foi transferido em uma ambulância para a clínica Centenario, no distrito de Pueblo Libre.

Após visitá-lo, Aguinaga disse que é impossível prever por quantos dias o ex-presidente ficará internado: "É uma pessoa que está perto de completar 84 anos. Sua saúde está deteriorada."

Os filhos do ex-presidente, Keiko e Kenji Fujimori, visitaram o pai na clínica nesta tarde. "Ele teve uma crise cardíaca grave nesta manhã, por isso foi transferido de emergência. Está fazendo uma série de exames. Agora está mais estável", disse Keiko Fujimori, acrescentando que o pai permanecerá na clínica por alguns dias. "Pude conversar com meu pai, ele está consciente. Percebeu que nunca havia sentido esse quadro tão forte, mas já está mais calmo."

O médico informou que Fujimori recebe oxigênio suplementar durante a tarde há semanas, "para compensar a fibrose pulmonar".

- Risco de vida -

Segundo o médico, o ex-presidente (1990-2000) também sofre de fibrilação atrial desde 2018, que o levou a uma cirurgia em outubro passado. "Ele é uma pessoa que demanda cuidados por sua idade", explicou. "Sua vida corria perigo se não recebesse assistência", disse à AFP um amigo da família.

O Instituto Penitenciário Nacional (Inpe), que controla as prisões no Peru, informou na manhã desta quinta-feira que Fujimori "foi evacuado em caráter de emergência por uma descompensação".

O órgão indicou que aplicou os "procedimentos regulares" nesses casos, descartando tacitamente qualquer demora em sua forma de agir.

Fujimori cumpre pena de 25 anos de prisão pelos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), realizados por um esquadrão da morte do Exército e que causou a morte de 25 pessoas - entre elas uma criança - em uma suposta operação antiterrorista durante seu governo.

Desde 2007, quando chegou ao Peru extraditado do Chile, após cinco anos de exílio no Japão, sofreu repetidas vezes de problemas respiratórios e neurológicos (paralisia facial), além de hipertensão.

Em outubro de 2021, foi hospitalizado por problemas cardíacos e passou por um cateterismo para tratar veias e artérias entupidas. Permaneceu internado por dois meses.

A filha mais velha do ex-presidente e líder da oposição, Keiko Fujimori, denunciou em outubro que os planos do governo de esquerda de Pedro Castillo de transferir seu pai da prisão, como parte de uma política para pôr fim ao tratamento privilegiado dispensado a alguns detentos em "prisões de ouro", influenciaram na deterioração da saúde de seu pai.

Ela considerou "cruel e maliciosa" a pretensão do governo e garantiu à AFP que essa mudança de estabelecimento prisional "buscava atentar contra a vida do meu pai", em uma "vingança de um governo".

O governo anunciou em fevereiro que mantinha seu plano de transferir Fujimori para uma prisão comum quando sua condição de saúde permitisse.

Um tribunal peruano não acolheu um recurso interposto em maio de 2020 no qual sua família pedia a libertação de Fujimori devido ao risco de contrair covid-19.


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