"Os cidadãos americanos deveriam ir embora, deveriam ir embora já. As coisas podem se acelerar rapidamente. Estamos falando de um dos maiores Exércitos do mundo", declarou Biden em entrevista à emissora NBC News, alertando sobre o poderio do Exército russo, que tem mais de 100.000 soldados deslocados para a fronteira com a Ucrânia.
Ele voltou a descartar, porém, o envio de soldados à Ucrânia, inclusive para ajudar na retirada de cidadãos americanos em caso de invasão.
Isso seria "uma guerra mundial. Quando os americanos e os russos começam a atirar uns nos outros, entramos num mundo muito diferente", afirmou Biden.
O Canadá lançou um apelo no mesmo sentido.
"Se você estiver na Ucrânia, deve ir embora", declarou o Ministério canadense das Relações Exteriores em sua página na Internet.
"A ação militar russa na Ucrânia pode perturbar os deslocamentos", afirmou o ministério, que concluiu: "estejam preparados para se refugiar".
Embora o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tenha voltado, ontem, a acusar Moscou de exercer "pressão psicológica", ele minimizou, nesta sexta, o apelo de Biden para que os americanos deixem o país.
"Não há nada de novo nesta declaração", reforçou, também nesta sexta, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba.
A entrevista do presidente americano foi ao ar após o início de importantes manobras conjuntas entre os exércitos russo e bielorrusso às portas da Ucrânia, diminuindo as esperanças de uma desescalada após semanas de intensos esforços diplomáticos na Europa.
Concentrados principalmente na região bielorrussa de Brest, fronteiriça com a Ucrânia, estes exercícios envolvem o envio de mísseis e de armamento pesado e, segundo os Estados Unidos, de 30.000 soldados russos adicionais.
Para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o envio destes armamentos para este país situado ao norte da Ucrânia é "um momento perigoso para a segurança da Europa".
- "A qualquer momento" -
Nesta sexta, de Melbourne, na Austrália, o secretário Antony Blinken deu a entender que a invasão da Ucrânia pode ser iminente e que poderia começar mesmo durante os Jogos Olímpicos de Inverno, que acontecem na China.
"A invasão pode acontecer a qualquer momento e, sejamos claros, pode ocorrer inclusive durante os Jogos Olímpicos", afirmou, referindo-se a hipóteses lançadas sobre o desejo da Rússia de esperar que esse importante evento esportivo termine para não ofuscar seu aliado, a China.
A embaixadora americana na ONU, Linda Thomas-Greenfield, pediu à China que "estimule os russos" a tomarem as decisões adequadas na crise atual, afirmando que a Rússia "ameaça a integridade de uma fronteira", a ucraniana.
"Seria extremamente importante que a China transmitisse essa mensagem", acrescentou.
"Estimulo meu homólogo chinês em Nova York a transmiti-la", insistiu.
A reação do embaixador da China na ONU, Zhang Jun, foi imediata e chegou pelo Twitter.
"Parem de atiçar a tensão", criticou.
- 'Nenhum resultado' -
Nas últimas semanas, os líderes europeus estiveram envolvidos em um frenesi diplomático para tentar desativar a crise, incluindo visitas a Moscou do presidente da França, Emmanuel Macron, e, em breve, do chanceler alemão, Olaf Scholz.
E, na tentativa evitar, de "incidentes infelizes", o chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, general Mark Milley, teve uma incomum conversa por telefone com o colega bielorrusso, general Victor Goulevitch.
Nesta sexta, porém, o Kremlin lamentou que a reunião de ontem com Alemanha, França e Ucrânia não tenha levado a "resultado algum".
"Todos fomos testemunhas de que a reunião dos conselheiros políticos sob o formato 'Normandia' não levou, ontem, a resultado algum", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, nesta sexta.
Segundo o porta-voz, os representantes foram "incapazes" de fazer a "mesma leitura do mesmo texto", em uma referência aos acordos de paz de Minsk firmados em 2015 e que buscam pôr fim ao conflito na Ucrânia. Conforme a ONU, já são mais de 13.000 mortos em oito anos de combates.
A Rússia é acusada de estar disposta a executar uma nova operação militar contra a Ucrânia, após a anexação da Crimeia em 2014. O Kremlin nega qualquer intenção bélica e afirma que deseja garantir sua segurança diante do que considera um comportamento hostil de Kiev e da Otan.
Moscou exige o fim da política de ampliação da OTAN, o compromisso de não instalar armas ofensivas perto das fronteiras russas e o recuo da infraestrutura militar da Aliança às fronteiras de 1997, ou seja, antes de a organização receber os ex-membros do bloco soviético.
Os países ocidentais consideram estas condições inaceitáveis e ameaçam Moscou com duras sanções econômicas, em caso de ofensiva na Ucrânia. Entre elas, estão possíveis consequências negativas para o gasoduto Nord Stream 2, entre Rússia e Alemanha.
Apesar das tensões, ambas as partes advogam por manter a via diplomática aberta, que parecia estar caminhando até o início das manobras militares em Belarus.
Publicidade
MOSCOU
Biden pede a americanos que deixem Ucrânia após início de manobras militares russas
Publicidade
