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Estado de Minas WASHINGTON

Com bons salários, enfermeiras itinerantes ajudam a manter hospitais funcionando nos EUA


26/01/2022 14:22

Para Allyssa Findorff, a decisão de percorrer os Estados Unidos para trabalhar como enfermeira em contratos temporários foi fácil: ela sempre quis conhecer o país e o salário atrativo oferecido foi um incentivo a mais.

Depois de um ano de pandemia e ao considerar que tinha experiência suficiente na emergência hospitalar, esta mulher de 32 anos deixou seu estado natal, Wisconsin, junto com seu namorado e dois cachorros para trabalhar em hospitais de Flórida, Colorado e, atualmente, Arizona.

Com o sistema de saúde do país no limite pela variante ômicron e dada a desistência de muitos profissionais devido às más condições e ao esgotamento, as "enfermeiras itinerantes" estão ajudando a preencher este vazio. Ademais, em alguns casos, chegam a receber mais que os médicos.

"Meu namorado e eu decidimos permanecer em um lugar por apenas quatro meses, mesmo se gostarmos muito dele, para seguir adiante", pois desejam conhecer "cada canto do país", disse Findorff à AFP.

A enfermagem itinerante não é algo novo, mas o setor registrou um crescimento de renda de 35% em 2020 e uma expansão adicional projetada de 40% em 2021, segundo as cifras da consultoria de recursos humanos Staffing Industry Analysts.

Mike Press, recrutador da agência de emprego Judge, contou à AFP que, no extremo superior, os salários chegam a 8.000 dólares por semana.

A maioria dos anúncios de vagas em grupos do Facebook oferece salários na faixa entre 3.000 e 5.000 dólares por semana, um ganho significativamente maior do que antes da pandemia, quando as enfermeiras itinerantes geralmente ganhavam cerca de 15% a mais que o pessoal fixo.

Os contratos temporários costumam durar de três a quatro meses, durante os quais as enfermeiras podem receber agora o que ganhavam durante um ano inteiro antes da pandemia.

- Ganância corporativa -

Diante do aumento significativo nos salários dos profissionais, as redes hospitalares vêm acusando as agências de contratação de pessoal de explorar a pandemia. Em fevereiro de 2021, o grupo industrial American Hospital Association pediu que a Comissão Federal de Comércio investigasse o caso.

"Isso não deveria ser permitido durante uma pandemia, de mesma forma que não permitimos que as empresas de construção tripliquem o preço da madeira depois de um furacão", disse recentemente John Galley, diretor de recursos humanos do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh, à revista Becker's Hospital Review.

No entanto, para Edward Smith, diretor-executivo da Associação de Enfermeiros de Washington DC, a crise no setor é anterior à pandemia por causa da baixa proporção de enfermeiros por paciente, o que ele atribui à ganância dos próprios hospitais.

"Não é que não haja escassez de enfermeiros disponíveis, há realmente uma escassez de enfermeiros disponíveis, que continuarão a colocar em risco sua licença e o atendimento ao paciente", disse Smith à AFP.

Além disso, as redes hospitalares fazem um lobby violento contra projetos de lei estaduais que buscam evitar as baixas proporções de funcionários por paciente. Em 2019, esses grupos gastaram US$ 25 milhões em Massachusetts com esse intuito.

Por fim, os contratos atuais das enfermeiras itinerantes não estão livres de certas "armadilhas": a maioria das empresas de pessoal temporário não oferece planos de previdência nem, ironicamente, seguro de saúde, disse Stacey Bosak, enfermeira que assessora os profissionais de saúde temporários da companhia 1847Financial.


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