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Estado de Minas OSLO

Talibãs e diplomatas ocidentais iniciam reunião em Oslo sobre crise afegã


24/01/2022 09:13

Uma delegação talibã e diplomatas ocidentais iniciaram uma reunião em Oslo, nesta segunda-feira (24), dedicada à crise humanitária no Afeganistão, onde milhões de pessoas estão ameaçadas pela fome - informaram fontes do Ministério das Relações Exteriores da Noruega.

Liderada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Amir Khan Muttaqi, a delegação afegã se reuniu com representantes de Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, União Europeia e Noruega. O encontro acontece no hotel Soria Moria, em uma colina perto de Oslo.

A portas fechadas, as discussões giram em torno da situação de urgência humanitária em curso no Afeganistão, onde milhões de pessoas se veem ameaçadas pela fome, após a interrupção da ajuda internacional e com o país devastado por várias secas.

A comunidade internacional condiciona o retorno da ajuda financeira estrangeira ao respeito dos direitos humanos por parte dos talibãs.

"Com o espírito de resolver a crise humanitária (...) continuamos uma diplomacia lúcida com os talibãs, marcada por nosso interesse constante em um Afeganistão estável, respeitoso dos direitos e inclusivo", disse no Twitter o enviado especial americano Thomas West.

O governo talibã ainda não foi reconhecido internacionalmente.

Fundamentalistas islâmicos depostos do poder em 2001, retomaram as rédeas do país em agosto do ano passado.

Criticadas por especialistas e por uma parte da diáspora afegã, a Noruega insistiu em que essas negociações "não são nem uma legitimação, nem um reconhecimento", mas que era necessário "falar com as autoridades que de fato governam o país".

No sábado (22), o porta-voz do governo islâmico, Zabihullah Mujahid, disse à AFP esperar que essas conversas contribuam para "mudar o clima bélico (...) em uma situação pacífica".

Desde agosto, a ajuda internacional que financiava 80% do orçamento afegão foi suspensa, e os Estados Unidos congelaram US$ 9,5 bilhões em fundos do Banco Central Afegão.

O desemprego disparou, e funcionários públicos estão sem salário desde agosto. De acordo com a ONU, a fome hoje ameaça em torno de 23 milhões de afegãos, ou seja, 55% da população do país. Para aliviar este quadro dramático, a organização relata serem necessários US$ 4,4 bilhões em recursos este ano.

- Denúncia contra um talibã -

A comunidade internacional espera para ver como será este novo governo, depois das atrocidades cometidas durante seu primeiro regime, entre 1996 e 2001.

Apesar de suas promessas de serem mais tolerantes, as mulheres continuam amplamente excluídas da força de trabalho no setor público, e muitas escolas para meninas permanecem fechadas. Duas ativistas feministas desapareceram em Cabul esta semana.

Antes do encontro com os talibãs, os diplomatas ocidentais se reuniram com membros da sociedade civil afegã, principalmente ativistas feministas e jornalistas. Na véspera, estes dois grupos conversaram sobre direitos humanos com os talibãs.

A ativista feminista Jamila Afghani disse ter sido uma "reunião positiva para quebrar o gelo".

"Os talibãs demonstraram boa vontade", disse ela à AFP. "Vamos ver se suas ações são consistentes com suas palavras", completou.

Os participantes observaram "que todos os afegãos têm que trabalhar juntos para melhorar a política, a economia e a segurança do país".

"Compreensão e cooperação são as únicas soluções para todos os problemas do Afeganistão", tuitou o porta-voz talibã, Zabihullah Mujahid, referindo-se a uma "declaração conjunta".

Na delegação talibã de 15 membros, todos homens, que chegou na noite de sábado a bordo de um avião fretado pela Noruega, está Anas Haqqani, um dos chefes da rede Haqqani, considerada um grupo terrorista pelos Estados Unidos.

Sua presença em Oslo foi especialmente criticada, pois seu clã é responsável por vários ataques mortais no Afeganistão.

Segundo a imprensa norueguesa, foi apresentada em Oslo uma denúncia contra Anas Haqqani por crimes de guerra.

"Isso dói. É como se Anders Behring Breivik (o neonazista norueguês que matou 77 pessoas na Noruega em 2011) fosse a um país", como delegado, disse o autor do processo, Zahir Athari, em entrevista à rádiotelevisão NRK.


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