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Estado de Minas GENEBRA

Russos e americanos vão manter diálogo sobre a crise ucraniana


21/01/2022 10:44

Russos e americanos têm um encontro "na próxima semana", após conversas francas sobre a crise russo-ocidental em torno da Ucrânia, que ainda ameaça degenerar, com o Exército russo acampado na fronteira ucraniana.

A reunião, nesta sexta-feira (21), entre os chefes da diplomacia russa e americana, Serguei Lavrov e Antony Blinken, em Genebra, é a última etapa de um balé diplomático que começou com duas conversas entre Vladimir Putin e Joe Biden em dezembro.

Para Washington, a perspectiva de uma incursão militar russa na Ucrânia é cada vez mais provável, com dezenas de milhares de soldados posicionados há semanas na fronteira com seu vizinho pró-Ocidente.

O Kremlin nega qualquer intenção de invasão, mas condiciona a redução da escalada a tratados que garantiram a não extensão da Otan e a retirada da Aliança do Leste Europeu. Algo inaceitável, segundo os ocidentais, que ameaçam a Rússia com sanções severas no caso de um ataque à Ucrânia.

Lavrov e Blinken concordaram nesta sexta que Washington apresentaria, "na próxima semana", uma resposta por escrito às exigências russas, após o que, segundo o diplomata russo, um "novo contato" entre eles será estabelecido.

Serguei Lavrov observou que ele e o secretário de Estado americano "concordaram que um diálogo razoável (é) necessário" para "a tensão diminuir", enquanto Blinken saudou "discussões francas e substanciais".

O americano, no entanto, alertou que haveria uma resposta mesmo em caso de agressão "não militar" da Rússia contra a Ucrânia. Basicamente, "não sei se estamos no caminho certo", resumiu Lavrov.

Blinken também informou que pediu à Rússia provas de que não quer invadir a Ucrânia retirando as tropas da fronteira.

"Se a Rússia quiser começar a convencer o mundo de que não tem intenções agressivas em relação à Ucrânia, um bom ponto de partida seria a desescalada, a retirada dessas forças da fronteira ucraniana", afirmou, acrescentando que o presidente Joe Biden está disposto a se encontrar com Vladimir Putin se houver progresso na questão.

- Retorno a 1997 -

Sinal da complexidade da situação, a diplomacia russa escolheu esta sexta-feira, dia das negociações, para insistir na retirada das tropas estrangeiras dos países da Otan de todos os Estados que aderiram à Aliança após 1997, citando nominalmente a Bulgária e a Romênia, mas a lista inclui 14 países do antigo bloco comunista.

"Tal exigência é inaceitável e não pode ser objeto de negociação", respondeu o ministério das Relações Exteriores da Romênia, ecoando a posição de todos os membros da Aliança.

O serviço de inteligência militar ucraniano acusou Moscou nesta sexta de continuar a "fortalecer as capacidades de combate" dos separatistas pró-russos no leste da Ucrânia, incluindo com tanques, sistemas de artilharia e munição.

Apesar de suas negações, a Rússia é acusada de apoiar esses combatentes e de ser o instigador do conflito que já matou mais de 13.000 pessoas desde 2014. Moscou também anexou a Crimeia no mesmo ano em reação a uma revolução pró-ocidental em Kiev.

Ao mesmo tempo, o presidente da Câmara Baixa russa, Vyacheslav Volodin, anunciou hoje que os parlamentares discutiriam na próxima semana um apelo a Putin para reconhecer a independência dos dois territórios separatistas pró-russos.

Esta reunião em Genebra conclui a turnê de Antony Blinken pela Europa para tratar a situação com ucranianos, alemães, franceses e britânicos.

Mais uma vez, europeus e americanos insistiram que Moscou se exporia a sanções devastadoras no caso de uma ofensiva na Ucrânia, ameaça varrida pelo Kremlin, que nunca cedeu a essa forma de represália em oito anos de conflito sobre a Ucrânia.

- Muscles russes -

Para Moscou, o essencial é forçar uma retirada da Otan, percebida como uma ameaça existencial e cujas sucessivas extensões lembram a humilhação da queda da URSS.

Para os americanos, uma retirada da Europa não é uma opção, mas o governo Biden diz que está pronto para discutir os temores russos sobre sua segurança.

Um caminho seria trabalhar no tratado de desarmamento nuclear assinado durante a Guerra Fria e do qual o ex-presidente Donald Trump se retirou.

Além disso, Joe Biden disse estar pronto para uma nova cúpula com Vladimir Putin, após a de junho de 2021 em Genebra.

Para Lavrov, porém, é "prematuro" falar sobre isso, mesmo que o presidente russo "esteja sempre" pronto para conversar com seu colega.

Enquanto isso, Moscou exibe suas ambições e poderio militar.

Nos exemplos mais recentes, conduz manobras militares em Belarus, ao norte da Ucrânia, e grandes exercícios navais no Atlântico, Ártico, Pacífico e Mediterrâneo.


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