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Estado de Minas MOSCOU

Rússia e Belarus promovem manobras militares em plena crise com Ucrânia


18/01/2022 10:50

Rússia e Belarus justificaram, nesta terça-feira (18), os exercícios "improvisados" de preparação ao combate nas fronteiras da União Europeia (UE) e da Ucrânia, devido às tensões com o Ocidente, enquanto os esforços diplomáticos por uma desescalada parecem se estagnar.

A chegada de um número indeterminado de soldados russos em Belarus acontece pouco antes de Rússia e Estados Unidos se pronunciarem sobre seu desejo de continuar os diálogos iniciados na semana passada, nos quais não foi possível mitigar o risco de um novo conflito na Ucrânia. O anúncio deve ser feito nos próximos dias.

Nesta terça-feira, o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, declarou, após uma reunião com sua homóloga alemã, Annalena Baerbock, que Moscou "está agora esperando respostas" às suas propostas "para continuar as negociações".

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, disse hoje que convidou a Rússia e aliados da Aliança Atlântica novas conversas sobre a Ucrânia.

"Hoje convidei a Rússia e todos os aliados da Otan para participarem de uma série de reuniões do Conselho Otan-Rússia, em um futuro próximo, para abordar nossas preocupações, mas também para ouvir as preocupações da Rússia e tentar encontrar uma saída para a crise", declarou em uma entrevista coletiva em Berlim, ao lado do chanceler alemão, Olaf Scholz.

Também nesta terça, o secretário de Estado americano Antony Blinken viajará para a Ucrânia, em uma demonstração de apoio a Kiev em meio aos temores de uma invasão russa, informou o Departamento de Estado.

Amanhã, Blinken se reúne com o presidente Volodymyr Zelensky para "reforçar o compromisso dos Estados Unidos com a soberania e com a integridade territorial da Ucrânia". No dia seguinte, embarca para Berlim para negociações com Reino Unido, França e Alemanha sobre a crise da Ucrânia, segundo o mesmo texto.

A Rússia, que concentrou dezenas de milhares de tropas na fronteira com a Ucrânia, provocando temores de uma invasão entre os países ocidentais, nega qualquer pretensão bélica e se declara ameaçada pelo reforço da Otan na região.

"Os próximos exercícios de preparação e de combate se realizam, devido ao agravamento da situação político-militar no mundo e ao aumento contínuo das tensões na Europa, principalmente, nas fronteiras oeste e sul de Belarus", disse o Ministério bielorrusso da Defesa em um comunicado.

Trata-se de manobras "improvisadas", explicou.

Belarus faz fronteira com Polônia, Lituânia e Letônia, membros da Otan e adversários da Rússia, assim como a Ucrânia.

Esses exercícios acontecem em duas etapas. A primeira, até 9 de fevereiro, inclui o envio de tropas russas e bielorrussas para "áreas ameaçadas", a proteção das infraestruturas estatais e militares e a preservação do espaço aéreo.

De 10 a 20 de fevereiro, acontecerão em várias bases militares em Belarus as manobras propriamente ditas, chamadas "Determinação da união 2022", em referência à aliança russo-bielorrussa.

- "Agressão externa" -

O vice-ministro russo da Defesa, Alexander Fomin, informou a 98 adidos militares estrangeiros radicados em Moscou que essas manobras aconteceriam com o objetivo de "repelir uma agressão externa", noticiaram as agências russas.

Fomin explicou que, para os execícios, serão mobilizados dois sistemas terra-ar S-400 e 12 caças Su-35.

O presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, havia anunciado essas manobras na véspera, sem especificar datas, e acusou Polônia, Ucrânia e a Otan de enviarem suas tropas para suas fronteiras.

Outra autoridade do governo bielorrusso também afirmou que os primeiros militares russos chegaram ao país para preparar os exercícios.

Não foi informado quantos militares russos, ou bielorrussos, participarão da operação. Desde segunda-feira, vídeos circulam nas redes sociais mostrando trens carregados de equipamentos militares e tanques blindados rumo à fronteira ocidental da Rússia.

Belarus divulgou imagens de um trem carregado de veículos do Exército e de um militar bielorrusso recebendo os soldados com pão e sal, um tradicional presente de boas-vindas.

Em resposta a uma revolução pró-Ocidente na Ucrânia, a Rússia anexou a península ucraniana da Crimeia em 2014. Este movimento é, em grande parte, considerado um apoio militar dos separatistas pró-russos do leste da Ucrânia. A região está em guerra há oito anos.

A Rússia se considera vítima das ambições da Otan no Leste Europeu e condiciona a desescalada aos ocidentais assinarem tratados para proibir qualquer ampliação futura da Otan, principalmente a adesão da Ucrânia e da Geórgia.


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