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Estado de Minas LISBOA

Campanha eleitoral em Portugal começa com favoritismo dos socialistas


16/01/2022 15:09

A campanha eleitoral para as legislativas antecipadas de 30 de janeiro em Portugal começou neste domingo (16) e, por enquanto, o socialista António Costa aparece como favorito.

Diante de sua possível vitória sem maioria absoluta, cenário previsto pelas pesquisas, Costa, um jurista de 60 anos, declarou que governaria sozinho, negociando cada lei, caso a caso, ou com o apoio de um pequeno partido animalista.

"A solução que encontramos até agora não é mais claramente possível nas circunstâncias atuais", disse ele na quinta-feira (13) em um debate televisionado com seu rival de centro-direita, o ex-prefeito de Porto, Rui Rio, um economista de 64 anos.

O chefe de governo em final de mandato se referia à frágil união da esquerda que lhe permitiu chegar ao poder em 2015 e que começou a ruir após as eleições legislativas de outubro de 2019.

O fim dessa aliança, sem precedentes desde a Revolução dos Cravos em 1974, ficou claro na rejeição do projeto orçamentário para 2022 por parte das legendas da esquerda radical, do Bloco de Esquerda e da coalizão entre comunistas e ambientalistas.

"Temos que resolver rapidamente essa crise política absurda", disse o primeiro-ministro, que espera conseguir oito deputados a mais do que em 2019 para alcançar a maioria absoluta e não depender das negociações.

- Terceira eleição na pandemia -

Após quatro anos de crescimento econômico e de dois de crise sanitária - cuja gestão não foi criticada -, as pesquisas preveem uma grande vitória dos socialistas. Ela é, contudo, insuficiente para mudar o equilíbrio de forças no Parlamento.

"A dificuldade de formar governos estáveis será o caráter dominante no futuro político de Portugal", disse o cientista político António Costa Pinto, pesquisador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, à AFP.

As eleições de 30 de janeiro marcarão "a consolidação de dois novos partidos que vão desafiar o principal partido de centro-direita", segundo este analista.

A extrema direita e os liberais, que entraram no Parlamento em 2019 com um único deputado, aparecem lado a lado nas pesquisas, com as duas siglas da esquerda radical com entre 4% e 6% das intenções de voto.

Os grandes partidos moderados portugueses - os socialistas, com algo em torno de 38% dos votos, e o centro direita, com cerca de 30% - continuam com "boa saúde", ao contrário de sua situação em outros países europeus, completa o cientista político.

A campanha eleitoral que começou neste domingo é a terceira no país sob a pandemia.

Pouco antes do aparecimento da variante ômicron, as eleições municipais do final de setembro foram realizadas sem grandes precauções. Elas foram vencidas pelos socialistas, à exceção da inesperada derrota em Lisboa.

Em janeiro de 2021, o presidente conservador Marcelo Rebelo de Sousa foi reeleito, após eleições organizadas no momento em que Portugal foi mais atingido pela covid-19.


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