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Estado de Minas Escândalo na realeza

Príncipe Andrew sai da cena pública, após processo envolvendo abuso sexual

Filho da rainha Elizabeth II renuncia a cargos honorários em instituições militares e associações de caridade, segundo comunicado do Palácio de Buckingham


14/01/2022 04:00 - atualizado 14/01/2022 00:00

Príncipe britânico é alvo de ação judicial nos Estados Unidos
Americana que processa Andrew sustenta ter sido forçada a manter relações sexuais com ele e seu amigo financista, morto em 2019 (foto: John Thys/AFP)


Processado em ação civil aberta nos Estados Unidos (EUA) por agressão sexual, o príncipe Andrew, segundo filho da rainha Elizabeth II, renunciou aos cargos honorários que ocupa à frente de regimentos militares e associações de caridade, informou, ontem, o Palácio de Buckingham, residência oficial e endereço de trabalho da rainha. “O duque de York continuará sem desempenhar nenhuma função pública e se defenderá neste caso na qualidade de cidadão privado”, manifestou-se o palácio em breve comunicado.

Um juiz de Nova York recusou, na quarta-feira, recurso apresentado pelos advogados do príncipe para que indeferisse a denúncia de agressões sexuais apresentada contra seu cliente por Virginia Guiffre, a americana que o acusa de ter abusado sexualmente dela em 2001, quando tinha 17 anos.

Guiffre é uma das vítimas de crimes sexuais do gestor financeiro americano Jeffrey Epstein, declarado culpado pela prática de pedofilia por um tribunal da Flórida. Ele se suicidou na prisão onde cumpria pena em Nova York, em agosto de 2019, quando aguardava novo julgamento por tráfico e abuso de menores.

A amizade de Andrew, de 61, com o americano, que defendeu em polêmica entrevista concedida à rede de TV BBC em novembro de 2019, provocou grande escândalo. O caso obrigou o príncipe a abandonar a vida pública.

A acusação e o processo nos EUA contra o Andrew, considerado o filho predileto de Elizabeth II, é um dos muitos estardalhaços que afetam a imagem da monarquia britânica com os quais a soberana de 95 anos tem de lidar.

Encontros No último dia 3, foi noticiada a existência de um acordo judicial que o príncipe Andrew afirmou protegê-lo no processo judicial em andamento. Com pagamento de US$ 500 mil, o acordo teria sido firmado em 2009 entre o gestor financeiro Jeffrey Epstein e a cidadã americana Virginia Roberts, assinatura anterior de Virginia Giuffre.

A proteção à qual o filho da rainha Elizabeth se referiu é um parágrafo do texto que sustenta haver posição resguardada a qualquer pessoa “que pudesse ser incluída como potencial réu”. O documento faz parte do processo, que, no entanto, continua em andamento.

Virginia Giuffre sustenta na Justiça norte-americana que o príncipe Andrew a forçou a manter relações sexuais com ele mais de duas décadas atrás, quando ela ainda era uma adolescente. Eles teriam se encontrado na casa da ex-sócia de Epstein Ghislane Maxwell, e em imóvel do próprio financista americano.

A prática de abuso sexual da americana foi negada pelo advogado do príncipe britânico. A defesa alega que o acordo firmado em 2009 “libera Andrew e outros de qualquer suposta responsabilidade” e sustenta que “o príncipe nunca abusou sexualmente ou agrediu Giuffre”.

A apelação que o príncipe apresentou, dias depois, foi rejeitada, na quarta-feira, pelo juiz Lewis Kaplan, de Nova York. Andrew pediu que a Justiça desconsiderasse a denúncia de agressão sexual. Na decisão, o magistrado recomendou rejeição absoluta do pedido de arquivamento da ação civil, apresentado no ano passado. A amizade entre o príncipe britânico e Jeffrey Epstein era antiga. Após o suicídio do financista, a ex-sócia Ghislane Maxwell foi considerada culpada pelo crime de tráfico de menores para exploração sexual.


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