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Estado de Minas BRUXELAS

Bélgica condena diplomata do Kuwait a dois anos de prisão por escravidão


15/12/2021 17:16

Um tribunal belga condenou nesta quarta-feira (15) um diplomata do Kuwait e sua esposa a dois anos de prisão por tratarem como escrava sua empregada etíope em Bruxelas.

O casal, que não esteve presente durante o julgamento, deixou a Bélgica há alguns meses. A embaixada do Kuwait em Bruxelas não respondeu aos pedidos dos tribunais, sob o argumento da imunidade diplomática do acusado, segundo a imprensa belga.

Na audiência realizada em meados de novembro, o promotor pediu quatro anos de prisão contra o casal pelos crimes de "tráfico de seres humanos", "sequestro" e "falta de pagamento de salários".

Os fatos ocorreram entre agosto de 2017, quando a vítima chegou à Bélgica com um visto de turista de três meses, e maio de 2018, quando conseguiu fugir da casa do diplomata, de acordo com o jornal La Libre Belgique.

A jovem etíope denunciou os acontecimentos à Pag-Asa, uma associação belga especializada no apoio a vítimas de tráfico humano, que a acompanhou e agiu como parte civil no julgamento.

Segundo as investigações, a mulher, que já trabalhava para o casal quando eles ainda moravam no Kuwait, foi enganada quando os acompanhou durante sua transferência para a Bélgica.

Ela pensou que os ajudaria na mudança e que voltaria rapidamente para o Kuwait, mas acabou sequestrada. Só podia comer as sobras do casal e seus três filhos, e não recebia roupas nem cuidados médicos.

Na sentença, o tribunal correcional de Bruxelas concluiu que ela foi "tratada como uma escrava".

De acordo com Sarah De Hovre, diretora da Pag-Asa, esses casos raramente chegam à Justiça. "As vítimas, geralmente mulheres, têm muito medo e não sabem a língua (do país de residência) nem os seus direitos", disse ao Libre Belgique.


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