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Estado de Minas PARIS

Migrantes: uma nova arma 'híbrida' e 'geopolítica' nos limites da União Europeia


11/12/2021 12:34

De Belarus à Turquia, os migrantes têm sido utilizados por alguns regimes vizinhos à União Europeia (UE) como uma "arma" na guerra latente contra o bloco, transformados em peões de um "jogo geopolítico", afirmam especialistas e dirigentes europeus.

O último caso, na fronteira entre Belarus e Polônia, é de "uma violência e intensidade nunca vistas em nenhuma outra parte, em nenhuma fronteira", declarou na quinta-feira (9) Fabrice Leggeri, chefe da agência fronteiriça da UE, a Frontex.

Uma crise que foi precedida de "sinais de alerta", segundo o próprio Leggeri explicou em uma coletiva de imprensa sobre o tema.

Após a reeleição de Alexander Lukashenko em agosto de 2020, a Frontex havia realizado simulações para avaliar a "vulnerabilidade" das fronteiras de Lituânia, Letônia e Polônia, já que estava convencida de que o presidente bielorrusso "tentaria usar a imigração irregular como arma geopolítica", afirmou Leggeri.

Um ano depois, a Lituânia presenciou uma primeira "avalanche de migrantes" vindos de Belarus.

Na primeira semana de julho, "entraram tantos migrantes quanto nos seis meses anteriores", afirmou Leggeri.

No entanto, foi em setembro que os "fluxos migratórios completamente artificiais, organizados por um jogo geopolítico", chegaram à Polônia e desencadearam "uma escalada de violência quase militar".

- 'Espingarda de disparo único' -

Diversos migrantes morreram "presos entre as forças bielorrussas, que os impediam de voltar, e polonesas, que os impediam de entrar", lamenta Fabrice Leggeri. "Isso mostra que Belarus busca criar vítimas para fazer pressão" e obter o reconhecimento internacional de seu regime, acrescentou o funcionário europeu.

"É o que chamávamos antigamente de guerra encoberta. Utilizamos forças de outros para poder negar que somos parte do conflito", afirma Jean-Sylvestre Mongrenier, pesquisador associado do instituto francês Thomas More.

Para este analista, assistimos hoje a uma "'arsenalização' dos fluxos migratórios" que permite "obter ganhos sem desencadear um conflito aberto".

Como parte do que o presidente francês, Emmanuel Macron, classificou de guerra "híbrida", Lukashenko teve que usar uma "espingarda de disparo único", afirmou à AFP Yves Pascouau, especialista em geopolítica das migrações.

"Lukashenko não conseguiu o reconhecimento internacional e pensará duas vezes antes de voltar a usar essa arma", disse Pascouau.

- 'Motivação financeira' -

Por ora, segundo os analistas, apenas a Turquia soube usar essa ferramenta de pressão, a intervalos regulares.

Após a crise migratória de 2015, os países da UE fecharam um acordo com Ancara para interromper o fluxo de migrantes para a Europa, em troca de importantes somas de dinheiro.

A Turquia, que voltou a ameaçar a Europa pela última vez no fim de fevereiro de 2020, "tem um verdadeiro poder de pressão", pois acolhe entre 3 e 4 milhões de refugiados, a maioria sírios.

"A Turquia usa a arma migratória por motivos financeiros, para debater sobre ampliações orçamentárias. Para ela, isso representa mais de 6,7 bilhões de dólares", explica o responsável da Frontex.

Contudo, para as pessoas que se encontram no foco deste problema e que são "usadas para fins terríveis", segundo Yves Pascouau, isso "supõe a exploração da miséria humana, com abusos a pessoas, violência e assassinatos. O pior que podemos imaginar", concluiu.


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