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Estado de Minas CARACAS

'eFutebol' na Venezuela, um desafio de sucesso apesar da internet ruim


10/12/2021 14:31
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Vencer a Taça Libertadores? Disputar a Copa do Mundo? Jovens 'gamers' da Venezuela marcam golaços nos esportes eletrônicos, que seriam inimagináveis na vida real. Contudo, eles também enfrentam um grande adversário: o serviço ruim de internet.

"Toca a bola, toca a bola! Que golaço!", exclama Josué Medina com o controle de PlayStation nas mãos enquanto participa da Liga Virtual de Futebol Venezuelano (LVFV), um campeonato de 'eFutebol' lançado este ano com o objetivo de promover os esportes eletrônicos no país.

Cerca de mil jogadores da saga de games FIFA participaram do torneio Pro Clubs, modalidade em que até 22 gamers - 11 em cada time - podem se conectar pela rede para controlar cada um dos jogadores em campo. O evento terminou na quarta-feira (8) com a equipe Beast como campeã.

"Parece louco, mas a Venezuela, ao lado de Argentina e Brasil, está entre os melhores do continente", contou à AFP Josué, de 26 anos, um dos promotores da liga virtual e jogador do Zamora eSports, equipe apoiada pelo Zamora FC, tetracampeão venezuelano de futebol no campo.

Além disso, os períodos de quarentena por causa da covid-19 deram um impulso à modalidade. Fechados em suas casas, mais jovens se aproximaram dos videogames e das competições de esportes eletrônicos.

"Há um ano e meio, isto era impensável", opina Daniel Molina, do Monagas eSports - outro time virtual vinculado ao clube original de futebol (Monagas SC) -, entre uma partida e outra na arena de eSports Spartacus, na capital Caracas.

A Venezuela é o único país da confederação sul-americana de futebol, a Conmebol, que jamais disputou uma Copa do Mundo, e seus clubes nunca conquistaram troféus internacionais, como a Taça Libertadores e a Copa Sul-Americana. Porém, no Pro Clubs, a história é diferente.

O DANZ - acrônimo de Deportivo Anzoátegui, clube de futebol que deixou de existir por conta das dívidas em 2019 - ganhou a Libertadores 2020 na EFA (Electronic Football Asociation), enquanto o Zamora eSports triunfou na PGS (Pro Gaming Society). São plataformas para ligas virtuais de todo o mundo, que atraem pequenas comunidades em redes sociais como Twitch e YouTube.

O DANZ já pertenceu à LVFV, mas abandonou a competição local para se concentrar em ligas dos Estados Unidos.

- Goleada contra jogadores 'reais' -

O crescimento global dos 'eSports' chamou a atenção da própria FIFA, que organiza desde 2004 a Copa do Mundo FIFAe, com duelos de Ultimate Team (1 vs 1), ao invés do Pro Clubs (11 vs 11), entre outros torneios.

O campeão de 2019, o alemão Mohammed Harkous ("MoAuba" no universo gamer), levou 250.000 dólares de premiação.

Os valores pagos pela liga venezuelana, no entanto, estão a uma distância abissal: o Beast ganhou 1.000 dólares, uma quantia que, ainda assim, é vista como um verdadeiro troféu, por se tratar de uma competição num país que vive sérias dificuldades econômicas.

Contudo, há indícios de que a liga local vai crescer ainda mais com o aumento de patrocínio. A maior marca de alimentos da Venezuela, Polar, organizou nesta semana partidas entre gamers e jogadores 'reais' de futebol, como Wuilker Faríñez, goleiro do Lens (França), e Deyna Castellanos, atacante do Atlético de Madrid na liga espanhola feminina.

Faríñez perdeu pelo vexaminoso placar de 7 a 1 para Daniel, de 23 anos, que compete nos esportes eletrônicos desde 2019: "Eu vi uma propaganda (no Instagram) e pensei: 'Por que não? Vamos tentar'", disse o gamer.

Equipes locais como o Zamora eSports estão se profissionalizando e já começaram a pagar salários a seus jogadores, mas esta ainda é uma realidade para poucos.

"Queremos que isso seja um pouco mais sério", afirmou Miguel Urbina, de 21 anos, companheiro de Josué no Zamora.

- Adeus, Wi-Fi! -

Apesar do crescimento dos esportes eletrônicos na Venezuela, os gamers ainda precisam enfrentar um inimigo terrível: uma das piores velocidades de conexão do mundo segundo o Speedtest.

"Desliguem o Wi-Fi, vou jogar!", costuma dizer Josué a seus familiares, pedindo que os outros aparelhos da casa sejam desligados para que ele possa conectar seu PlayStation diretamente ao modem.

"A diferença era gritante. Eu sofri até vir para cá", comenta Luis 'Luisito' Estrada, de 23 anos, um dos melhores jogadores do DANZ, que trabalha como instrutor de tênis na academia de seu pai em Orlando, nos Estados Unidos.

Em 2020, o DANZ conseguiu arrecadar cerca de 7.000 dólares em premiações.

Os gamers venezuelanos ressaltam a diferença de se ter acesso a uma internet de melhor qualidade internet. Pablo Georgakopoulos, por exemplo, cresceu na Flórida e faz parte da equipe Inter Miami na eMLS, a liga profissional de futebol virtual dos EUA. "Isso seria impossível na Venezuela", frisou.


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