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Estado de Minas PARIS

A 'heroína' Joséphine Baker é imortalizada na França


30/11/2021 17:10 - atualizado 30/11/2021 17:20

A estrela Joséphine Baker, figura da resistência contra a ocupação nazista e da luta antirracista, se tornou a primeira mulher negra no Panteão da França nesta terça-feira (30), em uma cerimônia "memorável" 46 anos após sua morte.

"Entra também no Panteão um ar de fantasia e audácia. Pela primeira vez há também uma atmosfera de liberdade e festa", disse o presidente francês, Emmanuel Macron, após elogiar a "heroína".

Pouco antes das 18h30 locais, o caixão que simboliza Baker passou sob a inscrição "Aos grandes homens" na entrada deste templo secular, após um último desfile pelas ruas da capital francesa.

Apesar do frio e da chuva, Paris ficou em festa. Membros do Exército carregaram a peça nos ombros ao longo de mais de meio quilômetro de tapete vermelho sob aplausos e sucessos de Joséphine Baker.

"Aqui estou eu de novo, Paris. Não nos vemos há muito tempo". Estas palavras da canção "Me revoilà Paris" abriram a cerimônia de 'panteonização' da artista, cujos restos mortais continuarão a repousar em Mônaco.

A "Vênus de Ébano" nasceu em 3 de junho de 1906 em Saint Louis (Estados Unidos) como Freda Josephine McDonald e, apesar de ter crescido na pobreza e na segregação e ter casado duas vezes aos 15 anos, conseguiu assumir as rédeas de uma vida excepcional.

Baker, que ascendeu ao estrelato na França durante os "Anos Loucos", aproveitou a fama para trabalhar como agente de contraespionagem para o general Charles De Gaulle durante a ocupação nazista.

E, após a Segunda Guerra Mundial, ela se juntou à luta contra o racismo, sendo a única mulher a fazer um discurso com Martin Luther King em 28 de agosto de 1963, durante uma marcha pelos direitos civis em Washington.

"A França me tornou o que sou e serei eternamente grata. Pode dispor de mim como quiser", disse a artista ao oferecer seus serviços no outono de 1939 a um oficial da contraespionagem.

Ela também incorporou seus valores ao adotar 12 crianças de diferentes partes do mundo para formar sua "tribo arco-íris" no castelo de Milandes (sul).

- "Heroína de guerra" -

Joséphine Baker, que recebeu a Legião de Honra francesa e a Cruz de Guerra em vida, será a sexta mulher a se tornar "imortal", como a física Marie Curie em 1995 e a arquiteta da lei do aborto na França Simone Veil em 2018. Apenas uma, Sophie Berthelot, não entrou através de seus próprios méritos, mas para acompanhar seu marido honrado.

Heroína de guerra. Batalhadora. Dançarina. Cantora. Uma mulher negra defendendo os negros, mas antes de tudo uma mulher defendendo a raça humana (...) Ela lutou tantas batalhas com liberdade, leveza e alegria ", disse Macron no discurso que revisou sua vida.

Na nave do Panteão, em frente a duas imagens de Baker, uma delas com uniforme da Força Aérea Francesa, um público heterogêneo prestou homenagem a ela: sua família, políticos, atores, músicos ou Albert II de Mônaco, filho de sua amiga Grace.

Durante a cerimônia, para a qual também foram convidadas organizações antirracistas, foram projetadas imagens da vida desta estrela, também famosa pela sua canção "J'ai deux amours".

Com a entrada desta artista atípica no Panteão, reservado quase exclusivamente aos homens - políticos, heróis de guerra ou escritores - Macron rompe com o perfil habitual dos "imortais", menos de cinco meses antes da eleição presidencial.

E, num momento em que a escolha de Baker se conecta com as lutas recentes por maior visibilidade e defesa dos negros e mulheres na esfera pública, o Eliseu garantiu que não há mensagem política por trás.

"Entra aqui para nos lembrar o que às vezes nos empenhamos para esquecer", que "somos uma nação combativa e fraterna", disse ele horas depois que o polêmico Éric Zemmour anunciou sua candidatura à Presidência com um discurso anti-imigração.

O dia começou com a mudança de nome da estação de metrô parisiense "Gaîté", que a partir de agora acrescentará as palavras "Joséphine Baker".

"Ela é motivo de orgulho", disse Luis Bouillon-Baker, um de seus filhos, que ela adotou na Colômbia.


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