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Estado de Minas NOVA YORK

Ghislaine Maxwell comparece a julgamento no caso Epstein


29/11/2021 20:30 - atualizado 29/11/2021 20:31

Mais de dois anos após a morte de Jeffrey Epstein, o julgamento de Ghislaine Maxwell, acusada de recrutar menores para a satisfação sexual do financista, começou nesta segunda-feira (29) em um tribunal federal de Manhattan, em meio a grandes expectativas.

Vestida com suéter bege, calças pretas e máscara branca, Maxwell, de 59 anos, pode pegar 80 anos de prisão se o júri a considerar culpada das seis acusações, incluindo tráfico sexual de menores.

A promotora Lara Pomerantz disse na abertura do julgamento que a ré, "a melhor amiga e braço direito" do bilionário Epstein, "era perigosa" porque "preparava jovens para serem abusadas por um predador".

Para fazer isso, ganhava a confiança delas e "ajudava normalizar o abuso sexual", fazendo-as acreditar, junto com Epstein, que ajudariam "a tornar seus sonhos realidade".

Utilizavam o "truque" das massagens, que depois se tornavam relações sexuais com Epstein, no que chamou de "esquema de abuso de pirâmide", já que as jovens recebiam um dinheiro extra se convidassem outras jovens a participar.

Maxwell "sabia exatamente o que Epstein faria com essas garotas quando as mandava para a sala de massagem" e sua presença de "mulher adulta" oferecia "uma cobertura de respeitabilidade a Epstein", apontou.

- Distorção de memória -

Para a advogada de defesa Bobbi Sternheim, este é um caso "de memória, manipulação e dinheiro" e questionou a credibilidade das denunciantes que, em sua opinião, foram manipuladas.

"Todos nós sabemos que a memória se desvanece com o tempo", disse em seus argumentos.

Antes do início do julgamento com a confirmação dos 12 membros do júri, Lisa Bloom, advogada de uma das denunciantes, havia dito que Maxwell "era uma traficante que levava drogas para Epstein, e a droga dele eram as meninas".

"Minhas clientes esperam que ela seja condenada por todas as acusações e passe o resto de sua vida na prisão", disse Bloom.

Maxwell era amante e amiga próxima de Epstein, que se suicidou em uma prisão em Manhattan em agosto de 2019, aos 66 anos, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores.

As denunciantes, cujos nomes são mantidos em anonimato, acusam Maxwell de crimes que ocorreram entre 1994 e 2004. Duas tinham 14 e 15 anos na época em que afirmam que foram abusadas.

Eric Lerner, advogado de Jennifer Araoz, uma das supostas vítimas de abusos do milionário, presente no julgamento, disse que sua esperança "é que isto não acabe aqui" com o processo de Maxwell, "mas que sejam julgados todos os colaboradores" de Epstein.

É pouco provável que Maxwell, que se declarou inocente, testemunhe no julgamento que deve durar até meados de janeiro.

- Amigos importantes -

Maxwell foi presa em julho de 2020, após a morte de Epstein, após a decisão da justiça dos Estados Unidos de perseguir os cúmplices do gestor bilionário e amigo de celebridades, entre elas o príncipe britânico Andrew, também envolvido no escândalo de abusos de menores.

Desde então, está detida na prisão Metropolitana do Brooklyn, onde já reclamou várias vezes das condições insalubres e desumanas em que vive.

Devido à covid-19, as testemunhas poderão retirar suas máscaras ao prestar seu depoimento, uma vez que o farão em um cubículo de acrílico equipado com um filtro de ar. Os advogados farão isso de outro cubículo semelhante.

Da mesma forma, as testemunhas podem testemunhar sob um pseudônimo ou apenas fornecendo seu primeiro nome.

Até o final de 2022, Maxwell voltará a ser julgada por acusações de perjúrio, relacionadas a depoimentos que ela deu em 2016 em um caso de difamação movido contra ela por Virginia Giuffre, suposta vítima e uma das principais denunciantes de Epstein

Giuffre alega que Epstein a emprestava para fazer sexo com amigos poderosos, como o príncipe Andrew, a quem denunciou em Nova York. Ela alega que o integrante da família real britânica fez sexo com ela há mais de 20 anos, quando tinha 17 anos.

Andrew, o segundo filho da rainha Elizabeth II, não foi acusado criminalmente e refutou essas acusações.

Sabe-se que Maxwell, amiga de Andrew por muitos anos, apresentou o príncipe a Epstein. Giuffre, agora com 38 anos, não faz parte da atual acusação contra Maxwell.

Este julgamento segue outros altamente midiáticos, como o do produtor de cinema Harvey Weinstein e do cantor R. Kelly, tendo como plano de fundo o movimento #Metoo.


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