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Estado de Minas VIENA

AIEA e EUA lamentam falta de avanços nas negociações com Irã sobre programa nuclear


24/11/2021 19:45 - atualizado 24/11/2021 19:50

"Nenhum avanço". O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, fez nesta quarta-feira (24) um balanço pessimista de sua viagem a Teerã, em um momento em que a expansão do programa nuclear iraniano preocupa a comunidade internacional.

Poucos dias antes da retomada das negociações diplomáticas que querem evitar que o país do Oriente Médio obtenha armas nucleares, suspensas desde agosto, o clima é tenso entre o Irã e o organismo das Nações Unidas.

"As negociações foram construtivas, mas não chegamos a um acordo, apesar de todos os meus esforços", declarou Grossi à imprensa.

Após várias semanas de um "silêncio" que o responsável classificou como "surpreendente", Grossi disse que esperava alcançar algum progresso em um assunto complicado.

"Mas, claramente não. Não conseguimos avançar", reconheceu.

No entanto, a Organização de Energia Atômica do Irã ressaltou que após os intensos esforços desdobrados até o último momento, "o trabalho continuará".

O ministro das Relações Exteriores, Hossein Amir-Abdollahian, se mostrou positivo, mencionando "a publicação de um comunicado conjunto o quanto antes", segundo a agência oficial Irna.

- "Incompatível" -

A AIEA está preocupada com a restrição das inspeções desde fevereiro por parte do governo iraniano, algo que "dificulta seriamente" as tarefas de verificação, segundo um relatório recente.

Outro assunto estagnado é a situação de quatro locais não declarados, onde materiais nucleares estão registrados.

Também preocupa o tratamento reservado aos inspetores da AIEA, já que alguns foram submetidos a "revistas excessivamente invasivas por parte dos agentes de segurança" iranianos, relata a Agência.

Cada país se compromete por lei a "proteger os agentes de qualquer intimidação", afirmou Grossi. "Mas nossos colegas iranianos", alegando motivos de segurança, "lançaram uma série de medidas que são claramente incompatíveis com isso", acrescentou.

"O assunto voltou à tona, e espero que este tipo de incidente não volte a acontecer", destacou.

Entre outras autoridades de alto escalão de Teerã, Grossi conversou com Mohammad Eslami, que dirige a Organização Iraniana de Energia Atômica.

Grossi admitiu que, devido ao andamento das negociações, decidiu cancelar a coletiva de imprensa prevista no aeroporto de Viena na terça-feira (23), antes de sua partida do Irã.

"Estamos nos aproximando do ponto em que não poderei mais garantir o conhecimento" sobre o estado do programa nuclear iraniano, disse o responsável.

- "Mau sinal"-

A União Europeia expressou a sua "profunda preocupação com estas discussões inacabadas" numa declaração ao Conselho do BCE.

Os Estados Unidos também condenaram a falta de progresso entre o órgão da ONU e o Irã. "A decisão do Irã de não cooperar" com a AIEA "é um mau sinal em termos de sua real disposição de negociar para chegar a um acordo", declarou um porta-voz diplomático dos EUA à AFP. Mas considerou que ainda é possível salvar "rapidamente" o acordo de 2015.

A visita de Grossi ocorre uma semana antes da retomada das negociações em Viena para salvar o acordo internacional sobre a energia nuclear iraniana, suspensas desde junho.

Concluído em 2015 entre Irã, por um lado, e Estados Unidos, Reino Unido, China, Rússia, França e Alemanha, por outro, o acordo representou para Teerã o levantamento de algumas das sanções internacionais que asfixiavam sua economia. Em troca, teve de reduzir drasticamente seu programa nuclear, que foi colocado sob controle rigoroso da ONU.

Em 2018, porém, sob a presidência do republicano Donald Trump, os Estados Unidos abandonaram o acordo, de forma unilateral, e reimpuseram suas sanções. Como consequência, Teerã foi abandonando, paulatinamente, os compromissos então assumidos.

Nestas negociações, os Estados Unidos participarão de forma indireta, por meio dos demais países que ainda fazem parte do pacto.

"Se eles chegarem à mesa de negociações arrastando os pés enquanto aceleram seu programa nuclear (...), é claro que não vamos ficar de braços cruzados", disse o emissário americano Rob Malley, em entrevista à rádio NPR que foi ao ar nesta quarta-feira.


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