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Estado de Minas PEQUIM

China indignada por convite de Biden a Taiwan para reunião sobre democracia


24/11/2021 07:54

Pequim expressou nesta quarta-feira (24) sua "firme oposição" ao convite a Taiwan feito pelo presidente americano, Joe Biden, para uma reunião de cúpula virtual sobre a democracia, na qual mais de 100 países participarão em dezembro, mas não a China.

O gigante asiático considera Taiwan uma de suas províncias, embora não controle a ilha de 23 milhões de habitantes.

Taiwan agradeceu ao presidente Joe Biden pelo convite, que permitirá demonstrar a nível internacional suas credenciais democráticas.

"Com esta reunião de cúpula, Taiwan pode compartilhar sua história democrática de sucesso", afirmou o porta-voz da presidência, Xavier Chang, em um comunicado.

Mas a China reagiu de maneira imediata e expressou a "firme oposição ao convite americano às autoridades de Taiwan", em uma declaração do porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian.

Ele insistiu que Taiwan é "uma parte inalienável do território chinês".

Taiwan, ilha governada de forma democrática e reivindicada por Pequim, é foco de tensões entre as duas maiores potências mundiais, Estados Unidos e China.

A Rússia também criticou a iniciativa dos Estados Unidos e acusou Washington de tentar provocar divisão.

"Estados Unidos preferem criar novas linhas de divisão, dividir os países em bons, de acordo com sua opinião, e maus, também de acordo com sua opinião", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Muitos participantes na reunião virtual são aliados de Washington. Entre os países convidados estão Iraque, Índia e Paquistão, segundo uma lista publicada no site do Departamento de Estado.

A Turquia, que assim como os Estados Unidos, é país-membro da Otan, está ausente da lista de países participantes, assim como a Rússia.

A maioria dos países latino-americanos está entre os convidados, com exceção de Cuba, Nicarágua, Venezuela e Bolívia.

Biden parece ter deixado claro desde sua chegada à Casa Branca em janeiro: sua política externa se baseia na oposição entre as democracias e as "autocracias", que segundo ele são representadas, entre outros, por China e Rússia.

O presidente dos Estados Unidos convidou o Brasil, governado pelo presidente Jair Bolsonaro.

- Outros "não convidados" -

Do Oriente Médio, apenas Israel e Iraque foram convidados para este encontro virtual organizado por Biden em 9 e 10 de dezembro. Aliados árabes tradicionais dos Estados Unidos como Egito, Arábia Saudita, Jordânia, Catar ou Emirados Árabes Unidos não foram chamados.

Na Europa, a Polônia será representada, apesar de tensões recorrentes com Bruxelas sobre o respeito ao Estado de Direito, embora a Hungria, liderada pelo controverso primeiro-ministro Viktor Orban, não esteja na lista do Departamento de Estado.

Da África foram convidados a República Democrática do Congo, Quênia, África do Sul, Nigéria e Níger.

A "Cúpula pela Democracia" é uma de suas prioridades, assim como uma de suas promessas de campanha.

"Para uma primeira cúpula (...) há boas razões para ter uma ampla gama de atores presentes: isso permite uma melhor troca de ideias", disse Laleh Ispahani, da Open Society Foundations, à AFP, antes da publicação da lista.

Segundo Ispahani, além de realizar uma reunião anti-China, país que ele classifica como uma "oportunidade perdida", Biden deve aproveitar os encontros, que também reunirão representantes da sociedade civil, para "atacar a crise que representa o sério declínio da democracia em todo o mundo, mesmo para modelos relativamente robustos como o dos Estados Unidos".

Esta cúpula foi organizada diante dos muitos contratempos que a democracia sofreu nos últimos meses em países onde os Estados Unidos tinham grandes esperanças.

Entre eles Sudão e Mianmar, com cenas de golpes militares; Etiópia, presa em um conflito sob o risco de "implodir", segundo Washington; assim como o Afeganistão, onde o Talibã assumiu o poder depois que os Estados Unidos deixaram o país após 20 anos de esforços de democratização.

Os próprios Estados Unidos foram incluídos na lista de "democracias em declínio" pela primeira vez, principalmente devido à era Trump, de acordo com um relatório da organização International IDEA, com sede em Estocolmo.


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