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Estado de Minas TEERÃ

Irã espera reunião 'construtiva' com o diretor da AIEA


22/11/2021 15:37 - atualizado 22/11/2021 15:40

O Irã espera que a visita do diretor-geral da AIEA, que chegou a Teerã nesta segunda-feira (22), seja "construtiva", uma semana antes da retomada em Viena das negociações com as grandes potências para tentar salvar o acordo sobre o programa nuclear iraniano.

"Esperamos que a visita de Rafael Grossi seja tão construtiva quanto as anteriores", disse o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Said Khatibzadeh, durante coletiva de imprensa semanal.

"Sempre aconselhamos a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) a permanecer no caminho da cooperação técnica e não permitir que determinados países avancem com seus objetivos políticos em nome desta organização", acrescentou.

Grossi chegou a Teerã na noite de segunda-feira, onde foi recebido pelo porta-voz da Organização de Energia Atômica do Irã, Behruz Kamalvandi, segundo a agência oficial Irna.

Se encontrará na terça-feira com o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohamad Eslami, e com o ministro das Relações Exteriores, Hosein Amir Abdollahian.

Os encontros em Teerã ocorrerão uma semana antes da retomada em Viena das negociações, interrompidas desde a chegada ao poder, em junho, do ultraconservador presidente Ebrahim Raisi.

O acordo concluído em 2015 entre o Irã de um lado e os Estados Unidos, Reino Unido, China, Rússia, França e Alemanha do outro significou para Teerã a suspensão de algumas sanções internacionais que sufocam sua economia em troca de uma redução drástica de seu programa nuclear, que foi colocado sob estrito controle da ONU.

Mas os Estados Unidos abandonaram o acordo em 2018 sob a presidência de Donald Trump e impuseram novamente as sanções. Como consequência, Teerã gradualmente abandonou seus compromissos.

O atual presidente americano, Joe Biden, afirmou que está disposto a retornar a este pacto, desde que o Irã retome simultaneamente as restrições acordadas.

A viagem de Grossi a Teerã ocorre depois que a AIEA informou, na semana passada, um aumento significativo da quantidade de urânio altamente enriquecido produzido pelo Irã nos últimos meses.

"Se o Irã continuar nesse ritmo, será impossível obter benefícios, mesmo voltando ao acordo", disse na sexta-feira o enviado dos EUA Rob Malley.

Khatibzadeh, por sua vez, acusou os Estados Unidos de lançar uma campanha psicológica contra seu país.

"Pensar que com essas declarações (os americanos) podem vender um discurso falso para a comunidade internacional para criar um ambiente psicológico enquanto a abordagem das negociações de Viena não os ajudará em nada", disse.

No sábado, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, disse que todas as opções estão sobre a mesa, especialmente se a diplomacia falhar.

Quando questionado sobre a possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos, o porta-voz das Relações Exteriores do Irã ironizou: "Vimos todas as opções no Afeganistão e eles viram o resultado. Acho que não acreditam no que dizem".


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