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Estado de Minas CARACAS

'Quero que meu país saia adiante': venezuelanos votam pensando em sanções e presidenciais


21/11/2021 20:23

Doris León foi votar neste domingo (21), acompanhada da vizinha, Olga Viana, em uma comunidade de Caracas: a primeira é chavista, a outra simpatiza com a oposição e volta a participar das eleições, após anos de boicote e apelos de abstenção de seus líderes.

As eleições regionais, mais do que eleger governadores e prefeitos, podem servir como um novo ponto de partida tanto para o presidente Nicolás Maduro, que visa a suspensão das sanções, quanto para a oposição, que volta à via eleitoral de olho em uma eleição presidencial "transparente" em 2024, embora no ano que vem tenha a opção de um referendo para revogar o mandato do chefe de Estado.

"Quero que meu país saia adiante, assim como ela quer. Sempre vamos ter um sentimento de que haja um país próspero para nossos filhos e netos, vença o candidato dela ou o meu", disse Viana à AFP.

Os centros de votação começaram a fechar às 18h locais (19h de Brasília), embora habitualmente o prazo se estenda naqueles onde ainda há eleitores à espera de votar. Os resultados só começam a ser anunciados na alta madrugada.

O presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Pedro Calzadilla, previu "uma participação muito boa". Os centros de votação em Caracas tinham filas, uma imagem muito diferente dos locais desertos nas duas últimas eleições, as presidenciais de 2018 e as legislativas de 2020, das quais a oposição se marginalizou, denunciando "fraude" e convocou a abstenção.

Estas eleições, nas quais são convocados cerca de 21 milhões dos 30 milhões de habitantes do país, também marcam a volta dos observadores internacionais depois de mais de uma década de ausência.

"Já é uma vitória para a Venezuela", comemorou Maduro depois de votar em uma instalação militar em Caracas. Seu poder não corre risco nestas eleições.

- "Resistência" -

Serão eleitos 23 governadores e 335 prefeitos, assim como legisladores regionais e municipais, entre mais de 70.000 candidatos.

A oposição voltou à via eleitoral dividida, enfraquecida e sem candidaturas únicas na maioria das regiões, e especialistas coincidem em que o chavismo vai levar a maioria dos cargos.

A oposição negou-se a participar das eleições presidenciais de 2018, nas quais Maduro foi reeleito, e das legislativas de 2020, nas quais a situação recuperou o Parlamento.

Os dois processos tiveram amplo repúdio internacional, liderado pelos Estados Unidos e pela UE.

"O de hoje não é uma festa eleitoral, nem uma festa democrática", disse após votar o líder oposicionista Henrique Capriles, duas vezes candidato à Presidência. "O de hoje é o reencontro do exercício de um direito que chamaria de resistência".

Daniel Rey, um médico de 25 anos de San Cristóbal, em Táchira, na fronteira com a Colômbia, incentivou o voto "ainda que como forma de protesto".

No também fronteiriço estado de Zulia, uma pessoa morreu e duas ficaram feridas em um tiroteio, "nas adjacências" de um centro de votação, segundo um boletim policial, embora o ministro do Interior tenha qualificado o ocorrido rapidamente como um "ato criminoso isolado do processo eleitoral".

- "À altura" -

A UE - que acompanha as votações com 130 observadores já mobilizados no país - não trabalhava em uma eleição na Venezuela havia 15 anos, pois as autoridades venezuelanas optaram por "missões de acompanhamento" de países e organizações próximas do chavismo.

Para esta eleição também foram instalados painéis de especialistas das Nações Unidas e do Centro Carter.

"Tudo transcorre tranquilamente", disse a jornalistas a chefe da missão europeia, Isabel Santos, durante visita a um centro de votação em uma zona popular de Caracas.

A UE tem previsto apresentar um relatório preliminar na terça-feira. Maduro, que tinha advertido que o bloco não pode "dar um veredicto" sobre as eleições, disse neste domingo que a missão "se portou à altura".

A volta da UE é, segundo analistas, uma das concessões do presidente em sua tentativa de conseguir a suspensão das sanções, que incluem um embargo petroleiro dos Estados Unidos; assim como uma nova diretoria do organismo eleitoral com presença da oposição, embora ainda dominada pelo chavismo.

O líder opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por dezenas de países, não votou e manteve silêncio durante o dia.

Guaidó defendeu nesta semana "unificar a luta" contra Maduro depois das eleições e insistiu em buscar um acordo nas negociações empreendidas pelo governo e a oposição no México, paralisadas desde a extradição aos Estados Unidos do empresário colombiano Alex Saab, ligado ao governante chavista.


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