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Estado de Minas SANTIAGO

Gabriel Boric, um líder 'millennial' para um Chile em transição


18/11/2021 14:48

O candidato presidencial mais jovem da história do Chile, o deputado Gabriel Boric, de 35 anos, ascendeu na política nacional como um ativista de esquerda que deseja, desde muito cedo, ver um país com bem-estar social.

Sua maior crítica ao regime democrático em que cresceu, já que nasceu em 1986, é que o mesmo manteve o modelo econômico instaurado na ditadura do general Augusto Pinochet, que fez do Chile um país individualista, com uma classe média e baixa endividada para pagar por educação, saúde e aposentadorias privadas.

Boric vem crescendo como figura política desde 2011, quando liderou protestos estudantis pelo ensino gratuito, em um dos países com educação mais cara do mundo.

"Nossa geração irrompeu na política em 2011, livrando-se um pouco dos medos que a ditadura havia gerado e dos pactos da transição", disse o candidato em entrevista à AFP.

Sua fala se referia ao regime militar de Pinochet (1973-1990) e à "Concertación", a coalizão de centro-esquerda que, desde 1990, governou boa parte dos 31 anos de democracia, e hoje jaz desintegrada, desprestigiada como reflexo da crise de confiança institucional.

Nesse cenário, Boric é o político com melhores chances de vencer, ou chegar ao segundo turno, na votação de domingo, segundo as pesquisas, que, no entanto, têm errado em quase todas as suas previsões desde 2019.

- Mudanças -

Na reta final da corrida eleitoral, o jovem candidato trocou a imagem de universitário rebelde pela de um 'aluno comportado', coerente com o tom moderado e negociador desta nova fase.

À sua época como dirigente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile, há 10 anos, ele atribui o início dos questionamentos a um modelo que era importante "contestar para tornar o Chile um país mais justo", disse à AFP.

Naquela época, a democracia chilena tinha apenas 20 anos e os estudantes, com seus 25 anos, passaram a questionar "o modelo de desenvolvimento, questionar por que aquilo que acreditávamos que deveriam ser direitos sociais estavam privatizados; por que a educação era um privilégio e não um direito, por que havia saúde para os ricos e não para os pobres, por que as aposentadorias se transformaram em um negócio", assinalou.

Durante a agitação social que abalou o Chile em outubro de 2019, Boric teve papel protagonista ao firmar o acordo político para convocar um plebiscito para reformar a Constituição herdada da ditadura.

- Equilibrismo -

Os críticos de Boric reprovam sua inexperiência, sua aliança com o Partido Comunista, sua falta de título universitário, apesar de ter concluído a faculdade de direito, e também suas mudanças de postura.

Nesse sentido, seus adversários na corrida presidencial desenterraram tweets de Boric saudando Nicolás Maduro como novo presidente da Venezuela, após a morte de Hugo Chávez em março de 2013. Porém, durante a campanha, o jovem candidato fez questão de condenar esse regime, e de reprovar os cumprimentos de um líder comunista chileno à recente vitória de Daniel Ortega na Nicarágua.

"Em nosso governo, o compromisso com a democracia e os direitos humanos será total, sem apoio a nenhum tipo de ditadura e autocracia, doa a quem doer. A Nicarágua precisa de democracia", escreveu em suas redes sociais em 12 de novembro.

- Patagônia -

Solteiro e oriundo de Punta Arenas, no extremo sul do país, Boric cresceu no seio de uma família simpática aos partidos Socialista e Democrata-Cristão, e é conhecido por ser um ávido leitor.

"Sou da Patagônia Austral, onde começa o mundo, onde se fundem todos os contos e a imaginação, no Estreito de Magalhães, que inspirou tantos romances", disse, orgulhoso de sua região.

Se chegar à Presidência, quer "algo que na Europa seria bastante óbvio, que é garantir um estado de bem-estar para que todos tenham os mesmos direitos, independentemente de quanto dinheiro possuem na carteira", resumiu.


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