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Estado de Minas SANTIAGO

Kast defende Pinochet e quer restaurar a ordem no Chile


18/11/2021 13:54

"Dizem que sou extremo, mas extremo em quê?", questionou o candidato direitista à presidência do Chile, José Antonio Kast, admirador da ditadura de Augusto Pinochet e em sintonia com lideranças como Jair Bolsonaro, Donald Trump e o partido Vox espanhol.

"Não me trate como extrema direita, porque não sou", rebateu a um jornalista estrangeiro que o instou a definir-se entre as posições clássicas de esquerda e direita.

"Espero que eles me qualifiquem como um candidato de bom senso", acrescentou Kast, 55 anos, em uma reunião tensa com correspondentes da imprensa estrangeira uma semana antes das eleições presidenciais neste domingo.

As pesquisas publicadas até 15 dias antes -por lei- o consideram favorito. Atribuem a ele cerca de 20% dos votos e um segundo turno contra Gabriel Boric, o jovem candidato da coalizão de esquerda que reúne a Frente Ampla e o Partido Comunista. Mas desde 2019, quando os chilenos foram convocados para várias consultas populares, as pesquisas se mostraram equivocadas.

Este advogado atuou por 20 anos no partido ultraconservador União Democrática Independente (UDI) até que em 2019 criou o Partido Republicano que hoje o leva à sua segunda tentativa eleitoral. Em 2017 alcançou a quarta colocação, com 7,93% dos votos.

- Nostálgico de Pinochet -

Filho de imigrantes alemães que chegaram ao Chile em 1951, seu pai alistou-se no exército durante o regime nazista alemão, embora o candidato tenha dito que foi por "obrigação".

Sua família se instalou no povoado de Paine, nos arredores de Santiago, onde fez fortuna com uma fábrica de linguiças alemãs e uma rede de restaurantes da qual se dissociou há alguns anos.

Na reta final da campanha, seu pinochetismo sem culpa mais uma vez o colocou em apuros em uma sociedade chilena mais sensível a este período sombrio de sua história.

Uma minoria da população ainda lembra com saudade da "ordem" e do impulso econômico que atribuem ao general que governou com mão de ferro por 17 anos.

O primeiro cargo público de Kast foi como vereador pela comuna de Buin, entre 1996 e 2000. Ele então saltou para o Parlamento e foi deputado por quatro mandatos consecutivos.

Nesta nova incursão presidencial, mantém o sorriso e a parcimônia que o caracterizam, embora com a aproximação das eleições tenha ficado mais tenso ao ser obrigado a destacar sua conhecida admiração pela era Pinochet, que deixou mais de 3.200 mortos e desaparecidos.

"Há uma situação que faz a diferença em relação ao que acontece em Cuba, Venezuela e Nicarágua. Acho que a Nicarágua reflete plenamente o que não aconteceu no Chile (com Pinochet): foram realizadas eleições democráticas e não prenderam adversários políticos. Esta é a principal diferença", argumentou Kast.

Para ele, a Constituição promulgada em 1980 durante o regime de Pinochet "continha toda a transição para a democracia" e o governo militar passou o poder após um plebiscito. "Diga-me, que ditadura fez isso?"

Esta seria a principal crítica que pesa sobre seus ombros: sua defesa da ditadura chilena, especialmente por suas conquistas econômicas, apesar das graves violações dos direitos humanos.

"Kast representa o mais recalcitrante da direita chilena, que infelizmente continua a ser um núcleo duro de pinochetismo, autoritarismo e xenofobia", disse Claudia Heiss, acadêmica de ciência política da Universidade do Chile, à AFP.

Mas ele - acrescenta - tem algo diferente da direita chilena mais tradicional: "A tendência dos populismos internacionais de direita; Kast se alimenta de Bolsonaro, Trump, dança no Tik Tok, faz coisas ridículas que seus antecessores não teriam feito para impressionar um segmento popular que deseja ordem. "

- Minorias em apuros -

Em seu programa de governo, ele propõe a redução dos gastos públicos, a redução de impostos e a eliminação de vários ministérios, inclusive o da Mulher.

Ele é o único dos sete candidatos que se propõe a manter o sistema de previdência privada instituído durante a ditadura, muito criticado pela opinião pública.

Propõe a intervenção das Forças Armadas na região de La Araucanía, no sul do Chile, prejudicada pelo conflito com os indígenas mapuches e o aumento das penas de prisão para crimes comuns.

Em uma das partes mais polêmicas, propõe, em estado de exceção, a detenção de opositores em casas ou outros locais que não as prisões e o fechamento do Instituto Nacional de Direitos Humanos, além da construção de uma vala para impedir a entrada de imigrantes irregulares.

Também quer a revogação dos benefícios compensatórios às vítimas de violações dos direitos humanos durante a ditadura e a criação de uma "coordenação internacional antirradicais de esquerda".


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