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Estado de Minas HONG KONG

Liberdade vigiada no novo grande museu de arte em Hong Kong


12/11/2021 09:37

O museu de arte M + em Hong Kong foi inaugurado nesta sexta-feira (12) sem uma série icônica de obras do artista dissidente chinês Ai Weiwei, o que provoca dúvidas sobre a liberdade de criação e censura na cidade.

O objetivo deste espaço de 65.000 metros quadrados, localizado em frente à Baía de Hong Kong, é competir com os grandes museus de arte contemporânea ocidentais, como o Tate Modern em Londres e o MoMA em Nova York.

Para isso, obteve um grande acervo de obras dos séculos XX e XXI da Ásia, além da coleção particular do suíço Uli Sigg, com 1.500 peças chinesas do período 1972-2012.

No entanto, uma das peças mais reconhecidas da coleção estava nos armazéns quando os altos funcionários da cidade teoricamente semiautônoma e o governo chinês cortaram a fita inaugural na quinta-feira.

Trata-se da série fotográfica "Estudo de Perspectiva", na qual o artista chinês Ai Weiwei se fotografou mostrando o dedo médio de forma ofensiva a instituições de todo o mundo: a Casa Branca, o Reichstag de Berlim e, também, a praça Tiananmen (Pas Celestial) em Pequim.

"A expressão artística não está acima da lei", justificou Henry Tang, gerente do parque cultural onde fica o museu. "Não mostraremos as fotos do dedo médio levantado, mas mostraremos outras obras de Ai Weiwei", disse ele a jornalistas na quinta-feira.

Há alguns meses, os legisladores de Hong Kong, alinhados com as autoridades de Pequim, consideraram que a foto na Praça Tiananmen constituía "uma ameaça à segurança nacional".

- Censura e autocensura -

O colecionador suíço Uli Sigg, que havia doado justamente aquela série fotográfica, publicou uma carta aberta. No texto, ele afirma que "há uma concepção diferente em grande parte da China e, sem dúvida, de uma parte da sociedade de Hong Kong, do que é arte contemporânea".

Tang confirmou que a fotografia foi censurada e o museu M + acolheu a determinação da unidade de segurança nacional da polícia.

"Se o departamento de segurança interna achar que uma obra ... viola a lei, agiremos de acordo com a lei", acrescentou.

A lei imposta por Pequim em 2020, após os protestos convulsivos de 2019, criminaliza qualquer dissidência e foi aplicada contra dezenas de opositores pró-democracia na ex-colônia britânica.

No mês passado, Hong Kong aprovou uma lei sobre censura cinematográfica que permite às autoridades proibir filmes novos ou antigos que representam uma ameaça à segurança nacional.


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