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Estado de Minas ROMA

Presidente argentino promete 'firmeza' em negociações com o FMI


30/10/2021 17:23

O presidente argentino, Alberto Fernández, que está em Roma para a cúpula do G20, prometeu neste sábado (30) negociar "com firmeza" com o Fundo Monetário Internacional (FMI) após uma longa reunião com a diretora da organização internacional, Kristalina Georgieva.

"Bom encontro com a diretora do FMI, Kristalina Georgieva, para avançar nas negociações que nos permitam sair do lugar social e economicamente insustentável onde o governo que me precedeu deixou nossa querida Argentina. Negociar com firmeza é recuperar a soberania", anunciou no Twitter o presidente argentino ao final do encontro.

Ele manteve uma reunião de 90 minutos com a chefe do FMI na embaixada da Argentina em Roma, que, segundo fontes diplomáticas, teve como foco a possibilidade de promover a discussão sobre a redução das sobretaxas.

"Quando tivermos um bom acordo, vamos fechar o acordo", alertou o chanceler argentino, Santiago Cafiero, em entrevista coletiva. "A dívida não pode servir de âncora para a recuperação da Argentina", resumiu.

O presidente argentino, que viaja acompanhado de Cafiero e do ministro da Economia, Martín Guzmán, se reuniu com outros líderes das principais economias do mundo, à margem de uma cúpula do G20, no ultramoderno centro de convenções La Nube, na capital italiana.

"Foi um encontro construtivo onde seguimos buscando construir entendimentos. Seguimos trabalhando de fato para continuar as negociações e os encontros", declarou Guzmán, com um tom mais conciliador.

O presidente conversou durante o dia com a chanceler alemã Angela Merkel; o chefe de governo espanhol Pedro Sánchez; o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel; a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; e o presidente francês, Emmanuel Macron.

"Foram relações bilaterais para fortalecer o vínculo entre a Argentina e a Europa. O presidente enfatizou a necessidade de rever parte da arquitetura financeira internacional que hoje é mais um obstáculo ao desenvolvimento do que uma ferramenta", explicou Cafiero.

A Argentina está empenhada em obter bons resultados para as negociações que mantém com o FMI e chegar a um acordo com a organização multilateral para renegociar uma dívida de 44 bilhões de dólares.

O presidente argentino exige que o FMI "seja responsabilizado pelos danos que causou" ao conceder ao governo do ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019) um crédito de 57 bilhões de dólares em 2018, número recorde para a entidade.

Ao assumir a presidência em dezembro de 2019, Fernández renunciou aos desembolsos disponíveis.

- "Não há inocentes" -

Fernández e Georgieva já se viram pela primeira vez frente a frente em Roma em meados de maio, no final de uma visita a países europeus feita pela delegação argentina, em que obteve o apoio de Portugal, Espanha, França e Itália nas negociações com o instituição financeira.

A Argentina, o maior devedor do orgão, pagou em setembro ao FMI um vencimento em torno de 1,8 bilhões de dólares do crédito stand-by que concordou.

Em agosto, recebeu o equivalente a cerca de 4,4 bilhões de dólares, do total de 650 bilhões distribuídos pela organização para ajudar os países membros a aliviar a crise da covid-19.

O mandatário sul-americano defende a necessidade de se trabalhar para a construção de um novo multilateralismo voltado para o desenvolvimento dos países mais vulneráveis, com melhores condições de pagamento, prazos e valores.

No momento, ele não tem encontro marcado com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, com quem se encontrará novamente na cúpula das Nações Unidas sobre o clima, a COP26, que começa na segunda-feira em Glasgow, no Reino Unido.

O chefe de Estado argentino, que propõe "uma nova arquitetura financeira internacional", é favorável à troca de dívidas por ações climáticas.

"Não há inocentes nesta história. Aqueles que se endividaram sem enfrentar as consequências ruinosas de sobrevivência são tão responsáveis quanto aqueles que deram os recursos para financiar a fuga de investimento em uma economia desequilibrada", disse ele em seu discurso no plenário do G20.


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