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Estado de Minas ROMA

Líderes do G20 confirmam reforma tributária global, em meio à espera de sinal sobre o clima


30/10/2021 20:30 - atualizado 30/10/2021 20:37

Os líderes das 20 maiores economias do planeta confirmaram neste sábado (30) em Roma uma reforma tributária global histórica, embora todos os olhos estejam voltados para se conseguirão enviar um forte sinal sobre a luta contra as mudanças climáticas, às vésperas da COP26 em Glasgow.

O G20 aprovou "um acordo histórico sobre novas regras tributárias internacionais, incluindo um imposto mínimo mundial que poderá acabar com a prejudicial corrida para o fundo do poço em impostos corporativos", celebrou a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, em um comunicado.

Essa reforma, cuja aprovação foi dada como certa depois que 136 países deram sinal verde no início de outubro ao pacto negociado sob a égide da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é até agora o único anúncio da cúpula realizada em Roma.

Os líderes do G20 aproveitaram a primeira cúpula presencial desde Osaka em 2019 para fazer também reuniões paralelas, como as do presidente da Argentina, Alberto Fernández, em plena renegociação da dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) .

Fernández lançou assim uma ofensiva diplomática com dirigentes da Alemanha, França, Espanha - país convidado - e União Europeia (UE), antes de se reunir à tarde com a diretora do FMI, Kristalina Georgieva, na embaixada argentina da capital italiana.

"Bom encontro (...) para avançar nas negociações que nos permitam sair do lugar social e economicamente insustentável onde o governo que me precedeu deixou nossa querida Argentina", escreveu no Twitter o presidente, cujo país renegocia uma dívida de 44 bilhões de dólares.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se encontrará com seu homólogo turco Recep Tayyip Erdogan no domingo, à margem do G20, em um momento de grande tensão entre Washington e Ancara.

- "Parem de jogar e escutem" -

Embora a luta contra as mudanças climáticas esteja formalmente na agenda de domingo, esta questão protagoniza a cúpula, especialmente quando aumenta a pressão para que os líderes das 20 nações responsáveis por 80% das emissões de gases de efeito estufa mandem um sinal forte.

"Pedimos aos líderes do G20 que parem de jogar uns com os outros e escutem por fim o povo e ajam em favor do clima como a ciência reivindica há anos", declarou à AFP Simone Ficicchia, de 19 anos, ativista do Fridays for Future.

Este movimento, iniciado pela ativista sueca Greta Thunberg, organizou, em conjunto com organizações de esquerda, uma manifestação na qual participaram cerca de 5.000 pessoas no centro de Roma, segundo a polícia, sob o olhar atento das forças de segurança.

Porém, no "La Nube", o ultramoderno Centro de Congressos construído em um bairro idealizado pelo ditador Benito Mussolini na primeira metade do século XX, não se esperam grandes avanços nos temas da reunião de líderes, que também inclui a luta contra a covid-19.

Alguns elementos sobre o clima na declaração final "ainda estão sendo negociados", disse um alto funcionário dos Estados Unidos. Durante o jantar de gala no Palácio do Quirinal, o presidente italiano Sergio Mattarella urgiu que não desviassem o olhar.

"Não devemos deixar para aqueles que virão depois de nós um planeta atolado em conflitos, cujos recursos foram desperdiçados", defendeu Mattarella, pedindo um "avanço decisivo". "Os olhos de bilhões de pessoas (...) estão voltados para nós", acrescentou.

As negociações parecem ainda mais complicadas, já que alguns governantes participaram por videoconferência, como os presidentes mexicano, Andrés Manuel López Obrador; chinês, Xi Jinping; e russo, Vladimir Putin; bem como o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida.

- "Moralmente inaceitável" -

Antes de abordar os efeitos, tanto humanos quanto econômicos, da pandemia, os líderes quiseram homenagear os profissionais de saúde que estiveram na linha de frente da luta contra a covid-19, convidando-os para a tradicional foto de família.

E, em sua primeira intervenção, o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, cujo país tem a presidência pro tempore do G20, classificou como "moralmente inaceitável" os diferentes níveis de vacinação entre os países mais e menos desenvolvidos.

"Acreditamos que cabe ao G20 esforços adicionais para produzir vacinas, medicamentos e tratamentos nos países em desenvolvimento", disse o presidente Jair Bolsonaro durante a plenária, segundo discurso divulgado por seu gabinete.

O G20 expressou seu apoio à meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de atingir 40% da população vacinada contra a covid-19 em 2021 e 70% até meados de 2022, mas as ONGs aguardam compromissos concretos dos líderes para ajudar os países pobres.

Tanto Xi quanto Putin pediram aos líderes do G20 o "reconhecimento mútuo" das vacinas produzidas em seus respectivos países, de acordo com seus discursos transmitidos por seus respectivos canais de televisão estatal. "Todos os países que precisam não podem ter acesso às vacinas", disse o russo.

A secretária de Comércio dos Estados Unidos, Gina Raimondo, também anunciou em Roma outro acordo "histórico" entre seu país e a União Europeia, que irá suspender as taxas sobre aço e alumínio importados, encerrando uma disputa que prejudicava seus laços comerciais.


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