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Estado de Minas HELSÍNQUIA

Depois da carne, chega o café de laboratório


27/10/2021 07:24 - atualizado 27/10/2021 08:26

Depois da carne, café de laboratório? Cientistas finlandeses finalizaram uma nova técnica que permite que uma das bebidas mais consumidas do planeta seja fabricada de forma mais sustentável.

"É realmente café, porque não há nada além de matéria de café no produto", assegura à AFP o Dr. Heko Rischer.

Esse novo produto não foi moído, mas é o resultado de um aglomerado de células de uma planta de café, sob condições de temperatura, luz e oxigênio controlados em um biorreator.

Depois de torrado, o pó é preparado exatamente da mesma forma que o café clássico.

Para a equipe de Rischer, do instituto finlandês de pesquisa técnica VTT, esse método permite evitar os atuais problemas ambientais do café, cuja produção mundial está próxima a 10 milhões de toneladas o grão.

"O café é claramente um produto problemático", diz o especialista, lembrando que as mudanças climáticas reduzem a produtividade das plantações e levam os agricultores a expandir suas terras adentrando a floresta tropical para suas lavouras.

"Há também a questão do transporte, do uso de combustíveis fósseis (...), por isso é lógico buscar alternativas", insiste o cientista.

O café que desenvolveram é baseado nos mesmos princípios da agricultura celular, cada vez mais usada para a carne produzida em laboratório, que não envolve matar animais.

Este produto foi aceito para venda em 2020 pelas autoridades de Singapura.

A equipe finlandesa está agora desenvolvendo uma análise mais profunda da sustentabilidade de seu produto se for fabricado em grande escala.

"Já sabemos que nosso consumo de água, por exemplo, é claramente menor do que o necessário para o crescimento no campo", explica Rischer. A técnica também exigiria menos mão de obra do que o café tradicional.

- Desconfiança -

O projeto tem particular importância na Finlândia, que, segundo analistas do data center Statista, está entre as nações com maior consumo de café no mundo, com média de dez quilos por pessoa ao ano.

Para os amantes do café, a chave do seu sucesso será o sabor. Até agora, apenas um painel especialmente treinado de "especialistas sensoriais" teve permissão para provar esta nova bebida devido ao seu status de "novo alimento".

"Uma das diretrizes do comitê de ética é apenas provar e cuspir, não engolir", explica à AFP Heikki Aisala, que dirige os provadores.

"Comparado ao café comum, o café celular é menos amargo", afirma Aisala, que defende a tese de um teor de cafeína um pouco menor. O sabor frutado também é menos pronunciado.

"Dito isso, temos que admitir que não somos torrefadores profissionais e que grande parte da criação de sabores vem do processo de torra", explica Rischer.

Depois de concluídos os testes e o refinamento do processo, a equipe espera encontrar um parceiro para aumentar a produção e poder comercializar seu café celular.

Os pesquisadores estimam que levará pelo menos quatro anos para que o café de laboratório chegue às prateleiras dos supermercados.

Existem outras iniciativas em andamento para encontrar uma alternativa mais sustentável ao café.

A start-up Atomo de Seattle anunciou em setembro que havia levantado US $ 11,5 milhões para um "café molecular" com o mesmo sabor do café, mas obtido de matéria orgânica de outra planta.

Mesmo assim, estudos realizados nos Estados Unidos e Canadá revelam uma desconfiança do público, principalmente dos idosos, em relação aos substitutos alimentares cultivados em laboratório.

Deixando de lado os benefícios ambientais, alguns especialistas em política alimentar também alertaram que a subsistência dos produtores de café pode ser ameaçada se esses produtos se espalharem.


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