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Estado de Minas SANTIAGO

Segundo aniversário de marcha histórica termina em distúrbios isolados no Chile


25/10/2021 21:39

O Chile lembrou nesta segunda-feira, em meio a distúrbios isolados, o segundo aniversário da passeata histórica que reuniu mais de 1 milhão de pessoas em Santiago durante os protestos sociais de 2019, e um ano do plebiscito em que apoiou-se uma mudança na Constituição, herdada da ditadura.

Dezenas de manifestantes incendiaram barricadas na Alameda, principal artéria de Santiago, e saquearam lojas, antes de serem dispersados pela polícia, que removeu os obstáculos. Uma coluna de ciclistas avançou em frente ao palácio de La Moneda com gritos contra o governo.

A 2 km do local dos distúrbios, cerca de 300 manifestantes protestavam pacificamente na Praça Itália, epicentro das manifestações de 2019, rebatizada de Praça Dignidade.

"Hoje esta data por duas vezes nos mostrou que as pessoas querem uma mudança. Com essa mesma esperança, hoje seguimos trabalhando para resolver as demandas por um Chile melhor. Não nos separemos, juntos somos um", declarou o jovem deputado de esquerda e candidato à presidência Gabriel Boric, representante da coalizão Aprovo Dignidade.

Em 18 de outubro de 2019, chilenos tomaram as ruas para pedir saúde universal, educação pública de qualidade e aposentadorias dignas em um país onde, durante a ditadura Augusto Pinochet, vigorou um plano de caráter neoliberal que, apesar de ter gerado um grande desenvolvimento nos últimos 30 anos, também acentuou as diferenças sociais.

Após semanas de protestos em todo o país, marcados por incidentes violentos, incêndios e saques, em 25 de outubro de 2019, 1,2 milhão de pessoas compareceram ao centro de Santiago, sem convocação prévia, para participar da maior manifestação desde retorno à democracia.

Como resultado, as mobilizações de 2019, que tiveram como saldo mais de 30 mortos e acusações internacionais de violações dos direitos humanos durante a repressão das forças de segurança, levaram à convocação de um plebiscito para modificar a Constituição. Um ano depois, em 25 de outubro de 2020, 78% dos eleitores votaram a favor da elaboração de uma nova Carta Magna.

"O Chile mostra alguns avanços, mas deve aprofundar seus esforços para abordar as violações e abusos cometidos" em 2019, lembrou nesta segunda-feira o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh) em comunicado. A agência realizou uma missão técnica em novembro de 2019 e elaborou um relatório para acompanhar a implementação de suas recomendações.

Para Jan Jarab, representante do Acnudh na América do Sul, apesar dos esforços do Chile, "persistem obstáculos no aceso das vítimas à Justiça, reparação e garantias de não repetição, entre outros direitos fundamentais". Além disso, ele lembra que o direito de reunião pacífica segue sendo regulado por um decreto da época da ditadura.

O presidente Sebastián Piñera fez uma referência hoje ao perigo de atos violentos durante manifestações pacíficas. "Não podemos esquecer que mais de 14.000 empresas foram afetadas por atos de violência, vandalismo e delinquência em períodos posteriores a 18 de outubro de 2019. Essa essência destrutiva que vimos novamente há poucos dias nos chama a condenar a violência e a respeitar o Estado de Direito", declarou, durante um ato perante representantes de pequenas e médias empresas.

Após o plebiscito, a população chilena elegeu os 155 membros da Assembleia Constituinte, que começaram a realizar as sessões, em julho deste ano, para redigir a nova Carta Magna. Por sua vez, o texto que resultar deste processo deverá ser aprovado pela população em uma nova consulta.

"Há dois anos, mais de um milhão de pessoas marcharam pacificamente para exigir o fim da desigualdade. Há um ano, pela primeira vez em nossa história, se preguntou à população se queria ou não uma nova Constituição. Hoje, estamos mudando o rumo do Chile", escreveu nas redes sociais o escritor chileno Jorge Baradit, um dos integrantes da Assembleia.


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