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Estado de Minas KIEV

Presidente ucraniano pede cooperação da UE contra a 'agressão do gás' russa (AFP)


22/10/2021 12:22

O presidente da Ucrânia, Volodomir Zelensky, acusou nesta sexta-feira (22) a Rússia de orquestrar a crise do gás na Europa e instou a União Europeia a coordenar sua resposta com a Ucrânia, em entrevista exclusiva por escrito à AFP.

A Europa, de onde um terço do gás vem da Rússia, enfrenta atualmente uma elevação vertiginosa do preço do gás, em plena escalada da demanda devido à recuperação da atividade após a pandemia de covid-19.

"Há uma real agressão de gás contra a União Europeia", ressaltou Zelensky, ao mesmo tempo em que os presidentes e chefes de Estado do bloco comunitário se reúnem em uma cúpula em Bruxelas.

"Espero que os países da UE se deem conta da necessidade sem precedentes de esforços conjuntos e que o respeito pelos valores e padrões europeus é a única maneira de preservar a independência energética europeia. E aqui a Ucrânia tem algo a oferecer", especificou Zelensky.

Para o presidente ucraniano, a Rússia, ao se recusar a aumentar a oferta, favorece a escassez e a alta dos preços do gás para conseguir o comissionamento do novo gasoduto submarino que liga a Alemanha à Rússia, o Nord Stream 2.

A Ucrânia, que recebe por uma tarifa de trânsito do gás russo para a Europa, está lutando contra esse gasoduto, cujo lançamento depende de um regulador alemão.

Este projeto tem o apoio das poderosas capitais europeias, com Berlim à frente, mas outras acreditam que este gasoduto irá promover a dependência europeia de Moscou, que pode se valer da situação como arma energética. E a atual crise do gás seria o primeiro exemplo disso.

"A Rússia quer forçar a Europa a lançar o Nord Stream 2 sem respeitar as regras europeias", explica Zelensky sobre essa infraestrutura, que tem capacidade de exportação anual de 55 bilhões de metros cúbicos.

O presidente ucraniano propõe assim um aumento imediato do fornecimento de gás através da rede ucraniana e "condições de armazenamento muito favoráveis" nas suas infraestruturas subterrâneas, bem como um "desconto" no trânsito.

No total, ele garante que a Ucrânia pode garantir o trânsito de 19 bilhões de metros cúbicos até o final do ano.

Enquanto isso, a Rússia nega qualquer chantagem à UE.

Uma combinação de fatores reduziu a oferta, fazendo com que os preços disparassem a níveis sem precedentes.

Na Europa, os estoques de gás estão em seu nível mais baixo, uma situação provocada por uma série de fatores começando por um inverno prolongado em 2020, e não estão cheios o suficiente desde então, apesar da retomada da atividade econômica pós-pandemia. Além disso, há uma redução das energias renováveis, como a eólica, por motivos meteorológicos.


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