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Estado de Minas HAVANA

Governo de Havana não está 'disposto a negociar' realização de marcha


20/10/2021 17:56

O governador de Havana, Reinaldo García, disse nesta quarta-feira (20) que não está disposto a "negociar em nenhum cenário" a realização de uma manifestação convocada por grupos opositores em 15 de novembro, quando a capital de Cuba estará celebrando os 502 anos de sua fundação com diversas atividades públicas.

"Temos motivos mais do que suficientes para comemorar em grande estilo em meio a essas contingências", disse García em coletiva de imprensa. "Não estamos dispostos a negociar em nenhum cenário".

O funcionário anunciou hoje uma série de eventos culturais para os dias prévios ao aniversário de Havana, em 16 de novembro, que coincidem, no dia 15, com a reabertura da ilha para o turismo internacional, o retorno das aulas para mais de 124.000 crianças do ensino fundamental, o Festival Bienal Internacional de Havana e a convocação para a manifestação.

Por sua vez, o grupo opositor Archipiélago, junto com outras associações em mais seis províncias de Cuba, mantém a convocação para a marcha que reivindica "mudança" e libertação dos presos políticos, apesar de as autoridades a considerarem "ilegal".

García disse que as atividades culturais e sociais previstas para novembro são o "centro da atenção de mais de 86%" da população cubana que ratificou, em 2019, a nova Constituição, que prevê "o caráter irrevogável de nosso socialismo".

O governador de Havana também anunciou que, após meses de confinamento, museus e bibliotecas voltarão a ser abertos e o transporte público se normalizará.

Os restaurantes e cabarés também voltarão a receber clientes, mantendo algumas medidas sanitárias, e haverá atividades como o fechamento aos sábados da avenida beira-mar, conhecida como "malecón", para transformá-la em um passeio de pedestres com eventos culturais e oferta gastronômica.

O Archipiélago, um grupo de debate político no Facebook, solicitou, há algumas semanas, autorização para realizar a manifestação, em uma rota pré-estabelecida, na região central de Havana.

As autoridades responderam em 12 de outubro, classificando o movimento como "uma provocação" que tem "a intenção manifesta de promover uma mudança de sistema político em Cuba".

O grupo fez convocações esta semana para uma série de ações nos dias 14 e 15 de novembro, entre elas vestir branco no dia da manifestação, pendurar lençóis e cobertores brancos nas varandas e janelas, panelaços e boicote geral ao noticiário da televisão estatal.

A iniciativa do grupo de ativistas acontece após as manifestações de 11 de julho, aos gritos de "Temos fome" e "Liberdade", que deixaram um morto, dezenas de feridos e cerca de mil detidos, dos quais uns 500 continuam na prisão.

Cuba está imersa em uma profunda crise econômica devido ao colapso ocorrido nas receitas oriundas do turismo, causado pela pandemia, e ao endurecimento do embargo dos Estados Unidos, que levaram a uma escassez severa de alimentos e medicamentos.


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