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Estado de Minas PARIS

COP15 sobre a biodiversidade, a outra COP essencial para o futuro do planeta


07/10/2021 08:48

Em 11 de outubro começa na China a COP15 sobre a biodiversidade. Menos conhecida que a COP26, esta conferência organizada pela ONU aborda questões cruciais como a luta contra a poluição e o cuidado com o meio ambiente.

A conferência das partes da Convenção sobre Diversidade Biológica vai acontecer em duas etapas: uma primeira sessão virtual de cinco dias em outubro e duas semanas de encontros presenciais entre 25 de abril e 8 de maio, em Kunming, China, após dois adiamentos.

- O que é a Convenção sobre a Biodiversidade? -

A Convenção sobre a Biodiversidade (CDB) nasceu na Cúpula da Terra do Rio de Janeiro em 1992, onde também foram aprovadas a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) e a Convenção das Nações Unidas para o combate à desertificação.

O tratado internacional tem três objetivos: "a conservação da biodiversidade", "o uso sustentável da biodiversidade" e "a participação justa e equitativa dos benefícios resultantes da utilização dos recursos genéticos", um tema particularmente importante nos países do Sul.

Foi ratificado por 195 países e pela União Europeia, mas não tem a assinatura dos Estados Unidos nem do Vaticano.

A Conferência das Partes (COP) da CDB reúne os Estados signatários a cada dois anos para negociar medidas políticas.

- Por que proteger a natureza? -

"A biodiversidade está declinando a uma taxa sem precedentes na história humana", com "um milhão de espécies de animais e plantas em risco de extinção" iminente, recorda a secretária executiva da CBD, Elizabeth Maruma Mrema, em entrevista à AFP.

As principais causas do colapso da biodiversidade são de origem humana: mudanças no uso da terra, superexploração de espécies, mudança climática, poluição, espécies exóticas invasoras. "Nós, seres humanos, somos um problema para a biodiversidade", insiste Elizabeth Maruma.

E a natureza fornece ar, água limpa, alimentos, remédios e matérias-primas para muitas indústrias.

Uma zoonose como a covid-19, doença transmitida de animais para humanos, foi "uma advertência brutal de que nossa relação com a natureza tem que mudar drasticamente, caso contrário virão outras pandemias", alertou a secretária-executiva da CBD.

- Por que a COP15 é essencial? -

Em Aichi, Japão, em 2010, os Estados estabeleceram 20 metas para 2020 para salvar a biodiversidade e reduzir a pressão humana.

Até o momento, nenhum desses pontos foi totalmente atendido e, portanto, a degradação dos ecossistemas continua a ameaçar nossas condições de vida.

As negociações em curso devem inverter a tendência e atingir um quadro que permita, até 2050 (com vários objetivos previstos para 2030), "viver em harmonia com a natureza".

- Qual o papel da China? -

"Um dos principais resultados esperados (da COP de outubro) é que a China assuma a liderança mundial" e terá um papel "facilitador" nas negociações, segundo Elizabeth Maruma.

A "missão de Pequim é levar a proteção da biodiversidade ao mesmo nível que a do clima, uma tarefa que até agora não estava ao alcance", diz Li Shuo, do Greenpeace.

- Qual a serventia da COP15? -

O texto a ser discutido inclui 21 ações até 2030: a conservação efetiva de pelo menos 30% das terras emergidas e marítimas, e "a redução de pelo menos metade dos nutrientes (fertilizantes) liberados no meio ambiente, e de dois terços de pesticidas, no mínimo, bem como a eliminação de todos os resíduos de plástico".

Trata-se também de reduzir os subsídios prejudiciais ao meio ambiente em "pelo menos US $ 500 bilhões por ano".

Os especialistas insistem na necessidade de criar mecanismos de financiamento e de acompanhamento efetivo das medidas adotadas, a fim de evitar que se tornem letra morta, como tem acontecido.

- Quais as ligações com a COP26? -

Depois de anos trabalhando em silêncio, as vozes que clamam por uma reaproximação entre as duas convenções da ONU, as convenções do clima e da biodiversidade, estão se multiplicando.

"São duas crises mescladas que precisam ser resolvidas juntas", insiste Elizabeth Maruma.

Ecossistemas saudáveis, como florestas e oceanos, armazenam melhor o carbono. E limitar o aquecimento global reduz o risco de desaparecimento de espécies.


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