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Estado de Minas WASHINGTON

Denunciante do Facebook pede regulamentação da empresa a legisladores dos EUA


06/10/2021 01:03 - atualizado 06/10/2021 01:13

Uma denunciante do Facebook sustentou perante legisladores dos Estados Unidos nesta terça-feira (5) que a gigante das redes sociais alimenta a divisão, prejudica as crianças e precisa ser regulamentada com urgência, levando membros do Congresso a se comprometer a adotar medidas longamente adiadas.

O depoimento de Frances Haugen, ex-funcionária da rede social, detonou uma das mais sérias crises enfrentadas pelo Facebook até hoje, e obrigou o cofundador e diretor executivo da empresa, Mark Zuckerberg, a rejeitar as acusações.

"Simplesmente não é verdade que a empresa priorize o lucro em detrimento da segurança", escreveu o bilionário em um postagem publicada em sua página no Facebook.

Haugen depôs no Capitólio depois de ter vazado para as autoridades e ao jornal The Wall Street Journal um enorme arquivo de investigações internas do Facebook que alimentou uma das crises mais graves da empresa.

"Acho que os produtos do Facebook prejudicam as crianças, atiçam a divisão e fragilizam a nossa democracia", destacou. "É necessário que o Congresso aja. Esta crise não será resolvida sem sua ajuda".

Em seu depoimento, Haugen destacou o risco do poder nas mãos de um serviço que se tornou necessário no cotidiano de tantas pessoas.

Também apontou os riscos de que as plataformas do gigante das redes sociais estejam alimentando uma epidemia particularmente perigosa de distúrbios alimentares, vergonha corporal e insatisfação pessoal nos mais jovens.

"Haverá mulheres caminhando neste planeta em 60 anos com ossos frágeis por causa das decisões que o Facebook tomou enfatizando os lucros hoje", previu ela, referindo-se ao impacto dos transtornos alimentares.

Zuckerberg rejeitou todas as acusações em uma nota endereçada para os funcionários do Facebook e publicada em sua conta, considerando "profundamente ilógico" o argumento de que a empresa favoreça conteúdo polêmico com o lucro como objetivo único.

"Ganhamos dinheiro com publicidade, e os clientes nos dizem repetidamente que não querem que seus anúncios estejam vinculados a conteúdo prejudicial ou irritante. E não conheço nenhuma empresa de tecnologia que alega criar produtos que deixam as pessoas irritadas ou deprimidas. Os incentivos morais, do negócio e do produto apontam para a direção oposta", argumentou Zuckerberg.

O bilionário também disse estar "particularmente focado" nas denúncias sobre a relação entre o Facebook e as crianças, acrescentando que está "orgulhoso" do trabalho realizado pela empresa para ajudar os jovens em dificuldades.

Zuckerberg reiterou seus próprios apelos de longa data para atualizar a regulamentação do setor, repetindo que o Facebook vê o Congresso como o "órgão certo" para fazê-lo.

Mas alguns dos membros do Congresso concordaram com Haugen.

"Esta é minha mensagem para (o diretor executivo do Facebook) Mark Zuckerberg. O seu tempo de invadir nossa privacidade, promover conteúdo tóxico e se aproveitar de crianças e adolescentes acabou", disse o senador Ed Markey.

"O Congresso tomará medidas (...) Não permitiremos que a sua empresa continue prejudicando nossas crianças, nossas famílias e nossa democracia", acrescentou.

A senadora Amy Klobuchar considerou que as revelações da denunciante representam o empurrão de que o Congresso precisava há tempos para agir.

"Chegou o momento de agir e acho que você é o catalisador desta ação", afirmou, dirigindo-se a Haugen.

Os legisladores americanos ameaçam há anos regulamentar o negócio do Facebook e de outras plataformas para fazer frente às críticas de que as gigantes da tecnologia invadem a privacidade, servem de megafone para a perigosa desinformação e prejudicam o bem-estar dos jovens.

- Um verdadeiro ponto de virada? -

O Facebook repudiou veementemente os artigos do Wall Street Journal, respaldados por volumosos estudos internos que Haugen vazou. E nesta terça, a empresa se opôs firmemente a seu depoimento.

Um comunicado do Facebook a descreveu como "uma ex-gerente de produto que trabalhou na empresa por menos de dois anos, não tinha subordinados diretos, nunca compareceu a uma reunião de decisões com executivos de nível C".

"Não concordamos com sua caracterização das muitas questões sobre as quais testemunhou", afirmou a nota de Lena Pietsch, diretora de política de comunicações.

Haugen, uma engenheira da informação de 37 anos, nascida em Iowa, trabalhou para empresas como Google e Pinterest, e mostrou nas horas de depoimento ter uma compreensão avançada da mentalidade do Facebook.

"Muitas das mudanças que cito não farão com o que o Facebook deixe de ser uma empresa que gera lucro", declarou. "Só não será uma empresa tão ridiculamente rentável como é hoje".

A denunciante insistiu na ideia de que o Facebook é uma plataforma na qual o comportamento humano é manipulado para manter as pessoas no aplicativo.

Haugen afirmou não acreditar que o Facebook seja intrinsecamente mau, mas que precisa de uma intervenção externa para tirá-lo de um ambiente tóxico.

Especialistas não sabem ao certo se as revelações no depoimento de Haugen servirão para dar fim a anos de disputas polarizadas sobre o tema.

"É possível, mas não garantido, que a audiência de hoje marque um verdadeiro ponto de virada", avaliou Paul Barrett, subdiretor do Centro Stern de Negócios e Direitos Humanos da Universidade de Nova York.

"É possível, mas não garantido, que a audiência de hoje marque um verdadeiro ponto de virada", avaliou Paul Barrett, subdiretor do Centro Stern de Negócios e Direitos Humanos da Universidade de Nova York.

Haugen depôs menos de um dia após o blecaute de sete horas do Facebook, seu aplicativo de fotos Instagram e serviço de mensagens WhatsApp, que potencialmente afetou bilhões de usuários e evidenciou a dependência global de seus serviços.

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