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Estado de Minas BUCARESTE

Romênia afunda em instabilidade após a queda do governo


05/10/2021 16:13 - atualizado 05/10/2021 16:19

O governo romeno do primeiro-ministro liberal Florin Citu caiu nesta terça-feira (5), após uma moção de censura no Parlamento que ameaça a estabilidade política do país.

A moção foi aprovada por 281 votos, muito mais que os 234 necessários, segundo os resultados oficiais.

O presidente Klaus Iohannis consultará os partidos políticos na próxima semana para nomear um novo primeiro-ministro.

"Estamos no meio de uma pandemia, a quarta onda nos atingiu com força, estamos passando por uma crise de preços de energia (...) e a tudo isso se soma uma crise de governo", lamentou o chefe de Estado, junto ao primeiro-ministro deposto, o liberal Florin Citu, em discurso televisionado.

Ex-executivo do setor bancário, Citu, de 49 anos, estava no cargo desde as eleições de dezembro. Nos últimos meses, tornou-se alvo da direita e da esquerda.

Em uma aliança incomum, os deputados do USR (partido de centro-direita que chegou a integrar a coalizão de governo), do Partido Social-Democrata (PSD, oposição) e do partido de extrema-direita AUR votaram de maneira unânime para destituir o Executivo.

Os liberais (PNL, no poder) boicotaram a votação e denunciaram uma ação "irresponsável" dos três partidos.

"O que vão ganhar levando o país ao caos?", perguntou o primeiro-ministro no início da sessão parlamentar, em referência aos partidos que apresentaram a moção.

- Novas eleições? -

Seu governo continuará exercendo de forma interina até que Iohannis, de centro-direita, nomeie um novo primeiro-ministro.

Para isso, precisará contar com uma maioria, tarefa que se anuncia complicada.

Apesar de, nas últimas semanas, as relações dos dois partidos terem-se intensificado, o USR se declarou aberto a voltar a formar uma aliança com o partido de Citu, com a condição de que este último não esteja à frente do futuro governo.

Segundo várias vozes dos liberais, porém, o presidente teria previsto renová-lo no cargo. Diante da rejeição dos deputados, isso poderia terminar na convocação de eleições antecipadas.

"Florin Citu é nossa escolha a curto, médio e longo prazo", afirmou no domingo (3) o eurodeputado Rares Bogdan, próximo ao presidente Iohannis.

Conforme a Constituição, o chefe de Estado pode dissolver o Parlamento, se os deputados rejeitarem dois candidatos ao cargo de primeiro-ministro em um período de 60 dias.

O PSD, que lidera nas pesquisas, é o único partido que deseja a convocação de eleições legislativas e já avisou que não apoiará nenhum primeiro-ministro procedente dos liberais.

Esta nova crise política coincide com um aumento de casos de covid-19 no país. Vários médicos afirmaram que os hospitais estão vivendo "condições de guerra".

Nas última 24 horas, foram registrados mais de 15.000 novos casos e 252 mortes, números recordes desde o início da pandemia. Até agora, o país acumula quase 38.000 óbitos por covid-19.

Enquanto isso, apenas um terço dos 19 milhões de romenos está com o esquema de vacinação completo contra a covid-19.

Neste momento, porém, os cidadãos deste país, um dos mais pobres da União Europeia, estão especialmente preocupados com a situação econômica e com o aumento das tarifas de gás e de energia elétrica.


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