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Estado de Minas WASHINGTON

Biden parte para ofensiva e chama republicanos de 'imprudentes' na questão da dívida


04/10/2021 16:20

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, criticou nesta segunda-feira (4) os republicanos, a quem chamou de "imprudentes e perigosos" por se recusarem a apoiar os democratas no aumento do limite da dívida do país e evitar a inadimplência da maior economia do mundo.

O mandatário também pressiona seu próprio Partido Democrata para aprovar suas iniciativas trilionárias de infraestrutura e reformas sociais.

Ao retornar de um fim de semana de descanso em sua casa em Delaware, o presidente mergulhou nesta segunda no período mais pesado de sua presidência até agora.

Por um lado, ele enfrenta a determinação dos republicanos que buscam recuperar o controle do Congresso nas eleições legislativas de meio de mandato do próximo ano. Por outro, tenta persuadir os democratas para que aprovem os principais programas de seu governo.

Com o discurso desta segunda na Casa Branca, carregado de fortes críticas aos republicanos, e uma viagem a Michigan na terça para promover seus planos de gastos, o veterano político de 78 anos espera retomar as iniciativas.

O legado de Biden depende em grande parte do plano de renovação de infraestrutura de 1,2 trilhão de dólares e do programa de gastos sociais que pode chegar a cerca de 2 trilhões, segundo os últimos dados disponíveis. Porém, o país agora enfrenta a ameaça de uma moratória sobre sua dívida.

- "Imprudentes e perigosos" -

A obstrução dos republicanos ao aumento do limite da dívida americana pode empurrar "nossa economia para um abismo", declarou Biden no discurso, acrescentando que não pode "garantir" que o país impeça um default a partir de 18 de outubro. "Se eu pudesse, impediria", disse.

A secretária do Tesouro, Janet Yellen, alertou que, a partir de 18 de outubro, os Estados Unidos não terão os fundos necessários para cumprir suas obrigações se o Congresso não agir.

Embora esse teto da dívida tenha sido elevado ou suspenso dezenas de vezes nas últimas décadas com os votos de ambos os partidos no Congresso, este ano os republicanos se recusam a aprovar o incremento.

Os republicanos do Senado querem forçar os democratas a recorrer a uma complexa manobra legislativa para aprovar mais dívidas apenas com seus votos, o que deixaria o partido no poder como único responsável pelo aumento do passivo do país.

Os democratas querem evitar isso e acusam seus rivais de tomarem como refém as finanças dos Estados Unidos, que tem a melhor classificação de crédito (AAA).

Assim, os democratas, que controlam o Senado por apenas um voto, tentam solucionar a situação da dívida ao mesmo tempo em que buscam superar as divergências internas sobre a agenda de reformas de Biden.

Na segunda-feira, o líder da maioria democrata no Senado, Chuck Schumer, indicou que um aumento no teto da dívida deveria ser votado "até o final da semana. Ponto".

"Não podemos nos dar ao luxo de esperar até 18 de outubro, pois é nossa responsabilidade garantir ao mundo que os Estados Unidos cumpram suas obrigações a tempo", defendeu.

- Quanto é suficiente? -

Enquanto aguarda a resolução das tensões entre partidos, Biden se vale de toda sua experiência de quase quatro décadas no Congresso e oito anos como vice-presidente de Barack Obama para tentar chegar a uma fórmula que una os setores de esquerda e de centro que coexistem em sua formação.

Sua viagem na terça-feira a um centro sindical de treinamento em Howell, Michigan, visa mostrar a seus correligionários que os planos de gastos da Casa Branca são populares entre os eleitores.

Os moderados da Câmara de Representantes e sobretudo do Senado, onde a paridade de votos entre os dois partidos é extrema, se negam a apoiar a ideia da ala de esquerda, que quer aprovar cerca de 3,5 trilhões de dólares para o programa de gastos sociais. Enquanto isso, esses últimos não aceitam a contraoferta do centro de US$ 1,5 trilhão.

Biden, portanto, agora está promovendo uma iniciativa que totaliza cerca de US$ 2 trilhões. O problema é que os dois lados democratas decidiram jogar duro. Os progressistas se recusam até mesmo a endossar o pacote de infraestrutura do presidente se suas ambições na questão social não forem garantidas antes de uma votação.

No domingo, Schumer disse que sua meta é "ter as duas leis prontas no próximo mês", acrescentando um novo prazo a um intenso momento legislativo para Biden.


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