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Estado de Minas DOHA

Nenhuma mulher é eleita em eleições inéditas no Catar


02/10/2021 20:16 - atualizado 02/10/2021 20:19

Os eleitores do Catar compareceram às urnas neste sábado (2) para definir a maioria dos integrantes do órgão legislativo, sem nenhuma mulher eleita de acordo com os resultados iniciais. A votação é inédita no país, onde os partidos políticos são proibidos, e não vai alterar o equilíbrio de poder no rico emirado governado pela família Al Thani.

Os eleitores foram convocados para determinar 30 dos 45 membros da Majlis al Shura, uma assembleia consultiva de pouco poder. Os demais serão designados pelo emir Tamim ben Hamad al Thani, que até agora escolhia todos os integrantes.

Candidatos do sexo masculino venceram todas as cadeiras, segundo resultados preliminares divulgados pela mídia local, apesar de 28 mulheres terem concorrido.

Esse resultado abre a possibilidade de o emir usar suas 15 nomeações diretas para corrigir o desequilíbrio. Não se sabe quando as indicações serão anunciadas ou quando o conselho se reunirá.

A participação popular foi de cerca de 44,3% nos 29 distritos eleitorais com mais de um candidato, segundo a televisão pública.

Uma contagem preliminar divulgada na tarde de sábado na televisão pública indicou que um terço dos candidatos aprovados havia desistido da disputa, e a agência estatal de notícias Qatar News informou mais tarde que havia 233 candidatos.

"Quando os candidatos perceberam que não tinham chance de ganhar um assento, decidiram endossar outros candidatos", explicou Andreas Krieg, professor do King's College de Londres.

O conselho terá novas faculdades, como propor leis, aprovar o orçamento ou revogar ministros, mas o todo-poderoso emir continuará com o direito de veto.

No Golfo Pérsico, apenas o pequeno reino do Kuwait tem um Parlamento eleito por seus cidadãos.

A votação, prevista pela Constituição de 2004, mas adiada em várias ocasiões, acontece em um momento de grande exposição para o país.

O Catar receberá no próximo ano a Copa do Mundo de futebol e as autoridades acreditam que organizar as eleições "provocará uma atenção positiva" para o país, afirmou Luciano Zaccara, especialista na região do Golfo e professor na Universidade do Catar.

"É uma forma de mostrar que o país está no bom caminho, que deseja mais participação política", completou.

Na prática, no entanto, os analistas não esperam grandes mudanças após as eleições no maior produtor e exportador mundial de gás natural liquefeito.

- Votação com limites -

Os cartazes dos candidatos foram espalhados pelas cidades do país. Alguns comícios foram organizados e anúncios eleitorais foram exibidos na televisão. Mas a política externa e o status da monarquia continuam sendo temas tabu.

Outras limitações também foram registradas. Os 284 candidatos originais, incluindo apenas 28 mulheres, precisaram da aprovação do poderoso ministério do Interior, seguindo critérios como idade, caráter ou histórico judicial.

Os candidatos também foram obrigados a informar o ministério com antecedência sobre suas ações de campanha e os nomes das pessoas que discursariam nos eventos.

"É um dia histórico (...) me sinto feliz. Espero que o próximo conselho esteja à altura do momento que o Catar e o mundo vivem", declarou à AFP Ali Abdullah al-Julaifi, eleitor de 44 anos.

Outra questão importante é que a maioria dos 2,5 milhões de habitantes do emirado são estrangeiros e não podem votar.

E entre os 330.000 cidadãos cataris, apenas os descendentes daqueles que já eram cidadãos em 1930 foram autorizados a votar e apresentar candidaturas.

Não é a primeira vez que os cataris participam em um processo eleitoral, uma vez que já votaram em reformas constitucionais ou eleições locais.


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