UAI
Publicidade

Estado de Minas PARIS

Problemas com fornecimento atrapalham recuperação da economia mundial


01/10/2021 18:42

Cortes de eletricidade na China, caos em postos de gasolina no Reino Unido, fábricas paradas... Os problemas de fornecimento nas cadeias produtivas ameaçam emperrar a recuperação da economia mundial, que está em plena retomada após a recessão provocada pela pandemia de covid.

Nesta última semana, se multiplicaram os exemplos desses problemas de fornecimento, que afetam vários países do globo.

A escassez de carvão para alimentar as usinas termoelétricas na China, a falta de caminhoneiros no Reino Unido, o aumento dos preços do gás e da eletricidade na Europa, pois a oferta não está sendo suficiente para satisfazer a demanda... A lista é grande.

"O risco é que, apesar da retomada das economias, o crescimento fique emperrado, já que não é possível produzir o que está sendo demandado", explicou à AFP Niclas Poitiers, pesquisador do instituto Bruegel de Bruxelas, na Bélgica.

As turbulências econômicas atuais já mostram reflexos nas estatísticas.

A China experimentou uma redução de suas atividades manufatureiras pela primeira vez desde o início do ano.

Este mesmo índice também registrou na França e na região industrial de Chicago, nos EUA, seus níveis mais baixos de 2021.

A produção industrial no Japão sofreu queda em agosto, o segundo mês consecutivo.

- Toyota, Stellantis... -

As dificuldades de fornecimento de matérias-primas e componentes estão afetando a produção das empresas.

A indústria automotiva, por exemplo, é uma das mais atingidas pela escassez de alguns tipo de chip.

A Toyota revisou para baixo suas estimativas de produção no mês passado, enquanto o grupo Stellantis, resultado da fusão entre Fiat Chrysler e Peugeot, fechará no início do ano que vem uma fábrica da marca Opel, na Alemanha, devido a uma situação "excepcional".

De acordo com as previsões mais recentes da firma de consultoria Alixpartners, o setor automotivo deverá perder cerca de 210 bilhões de dólares em faturamento em 2021, o dobro do estimado no início do ano.

As notícias também não são boas para o setor têxtil. O gigantesco grupo sueco H&M; reconheceu nesta quinta-feira (30), em seus resultados, "perturbações e atrasos no transporte de produtos" em setembro.

O transporte também se tornou um problema para o grupo moveleiro Ikea, que vem enfrentando obstáculos com a falta de mão de obra no setor, além do aumento nos preços das matérias-primas.

O custo do frete se multiplicou por cinco no último ano para uma viagem da China para a costa oeste dos Estados Unidos, de acordo com o índice Freightos Baltic (FBX).

Para o pesquisador Jacob Kirkegaard, do Peterson Institute (PIIE) em Washington, esta situação deve ser analisada "como um perigo que pode desacelerar a recuperação econômica", mas que não terá impacto suficiente para provocar outra recessão.

"A maioria desses problemas deverá ser resolvida no médio prazo", explicou Niclas Poitiers, que, no entanto, alertou que a situação atual ainda pode durar muitos trimestres.

Por outro lado, o presidente do Federal Reserve, o banco central americano, Jerome Powell, advertiu que esses problemas "poderiam ser mais importantes e duradouros do que o previsto inicialmente".

Apesar de "no Reino Unido e na Europa haver a impressão de que a pandemia acabou", Frances Coppola, autor do blog financeiro Coppola Comment, ressaltou que "o comércio internacional não poderá voltar à normalidade enquanto muitas pessoas continuarem morrendo de covid-19 em diversos países".

FIAT CHRYSLER AUTOMOBILES

HENNES & MAURITZ

TOYOTA MOTOR

Stellantis


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade