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Estado de Minas LONDRES

Justiça britânica determina que policial infiltrado violou direitos de ativista


30/09/2021 15:01

Um tribunal britânico determinou, nesta quinta-feira (30), que a polícia "violou os direitos humanos" da ativista ambiental Kate Wilson ao permitir que um agente infiltrado em seu movimento mantivesse uma relação sentimental com ela durante quase dois anos.

Esta decisão constitui uma sentença inédita sobre a controversa prática dos "policiais espiões", que durante décadas se infiltraram em grupos de ativistas no Reino Unido, apropriando-se da identidade de crianças mortas para se aproximarem de certos "alvos".

Wilson, uma enfermeira de aproximadamente 40 anos, soube em 2010 que seu ex-namorado Mark Stone, quem ela conheceu em 2003 durante um protesto contra uma cúpula do G8, nunca existiu.

Era, na verdade, um policial casado - cujo verdadeiro nome é Mark Kennedy - e com filhos, infiltrado há muito tempo entre os ambientalistas.

Nesta quinta-feira, um tribunal especializado em julgar órgãos públicos determinou que esta operação secreta "não pode ser justificada como necessária em uma sociedade democrática" e revelava "preocupantes e lamentáveis violações dos direitos mais fundamentais".

Acusou os policiais que supervisionavam o agente infiltrado de optarem por não "fazer perguntas" ou por "fazer vista grossa sobre as condutas úteis para a operação", denunciando "a frequência" com a qual mantinha relações sexuais com seus "alvos".

Durante sua missão, Kennedy manteve relações sexuais com ao menos outras dez mulheres, incluindo uma com quem conviveu por seis anos, antes de ela encontrar seu verdadeiro passaporte e descobrir a farsa.

Segundo a imprensa britânica, desde 1968 ao menos 139 policiais se infiltraram em mais de mil grupos, a maioria de esquerda, mas também da extrema direita, como sindicatos, organizações ambientalistas, associações antirracistas, pacifistas ou feministas.

A polícia de Londres apresentou desculpas "sem reservas" à vítima, reconhecendo em um comunicado "que esta relação foi um abuso de poder policial e violou os direitos humanos" da demandante.


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