UAI
Publicidade

Estado de Minas MOSCOU

Opositor russo Alexei Navalny recebe novas acusações de extremismo


28/09/2021 12:30 - atualizado 28/09/2021 12:37

O opositor russo preso Alexei Navalny e vários de seus colaboradores mais próximos são alvo de novas acusações de "extremismo" que podem levar a longas penas de prisão - anunciaram investigadores nesta terça-feira (28).

As investigações contra ele e contra vários de seus colaboradores próximos surgem na esteira da vitória do partido de Vladimir Putin nas eleições legislativas, após uma campanha para excluir das urnas quase todos os candidatos críticos ao Kremlin.

Os apoiadores de Navalny não conseguiram se candidatar, depois que suas organizações foram proibidas e classificadas como "extremistas" em junho.

Desde o início do ano, Navalny está preso com uma sentença de dois anos e meio por um caso de fraude que ele julga ser político.

O opositor e seus aliados agora estão sendo acusados de terem "criado e liderado uma organização extremista" por meio de seu Fundo Contra a Corrupção (FBK) e de outras oito organizações.

Também é acusado, desde agosto, de convocar seus apoiadores a cometerem "atos ilícitos", crime que prevê uma pena de três anos de prisão.

De acordo com um comunicado do Comitê de Investigação, responsável pelas principais investigações na Rússia, Navalny e seus aliados foram acusados de terem "criado e dirigido uma organização extremista", a qual pedia, de 2014 a 2021, "uma mudança de poder por meios violentos".

Segundo os investigadores, as manifestações ilegais organizadas pelo opositor e por seus aliados envolviam "convocações a ações extremistas e terroristas".

As acusações, que podem gerar uma pena de 10 anos de prisão, também abrangem dois de seus colaboradores próximos: Leonid Volkov e Ivan Jdanov.

Outros colaboradores, entre eles o moscovita Liubov Sóbol, são acusados de "participação em uma organização extremista", crime com pena prevista de seis anos de prisão, segundo a mesma fonte.

A maioria dos aliados de Navalny está no exterior, depois de fugirem da repressão dos últimos meses na Rússia. Neste período, vários deles foram detidos, ou postos sob liberdade vigiada.

- "Colocar medo" -

Segundo Ivan Jdanov, essas novas acusações têm como objetivo "prolongar a condenação" atualmente cumprida por Navalny. O opositor de Putin está preso desde janeiro, ao retornar para a Rússia após um envenenamento pelo qual ele acusa o Kremlin.

Em declarações ao canal de televisão online Dojd, Jdanov afirma que as autoridades querem "colocar medo" nos colaboradores e apoiadores do principal crítico ao Kremlin.

"Todos se perguntavam se a repressão iria diminuir depois das eleições. Essa é a resposta", tuitou a porta-voz de Navalny, Kira Yarmych.

Apesar de preso, Navalny continua se expressando com frequência nas redes socais. Na semana passada, pediu aos seus simpatizantes que não se rendessem, apesar do "roubo" dos resultados das eleições legislativas de 19 de setembro.

Este ativista anticorrupção de 45 anos ficou conhecido por suas investigações sobre o estilo de vida e o desvio de dinheiro da elite russa.

Depois de ficar inelegível, a estratégia eleitoral de seus defensores nas legislativas consistiu em convencer os russos a "votarem de forma inteligente", ou seja, escolhendo os candidatos mais bem posicionados para vencer os do Kremlin.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade