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Estado de Minas PEQUIM

Libertação de executiva da Huawei e de dois canadenses encerra três anos de crise diplomática


25/09/2021 18:24 - atualizado 25/09/2021 18:25

A diretora financeira da gigante chinesa das telecomunicações Huawei, Meng Wanzhou, retornou neste sábado (25) ao seu país, depois que sua prisão domiciliar no Canadá foi encerrada no âmbito de um acordo com os Estados Unidos.

Paralelamente, dois canadenses foram libertados na China, encerrando assim um conflito diplomático e judicial que já durava três anos.

Meng, o ex-diplomata canadense Michael Kovrig e o empresário Michael Spavor foram soltos quase ao mesmo tempo numa operação agora apelidada de "a diplomacia dos reféns".

A emissora estatal CCTV mostrou o avião em que Meng viajava pousando no aeroporto de Shenzhen (sul), onde um tapete vermelho foi estendido e várias centenas de pessoas se reuniram em seu apoio, incluindo funcionários da Huawei que agitavam bandeiras chinesas. Um deles lhe ofereceu um buquê de flores.

"Sendo uma cidadã normal, eu não poderia ter conseguido minha liberdade sem o apoio de meu amado país e o amor do povo chinês", disse Meng na pista do aeroporto, antes de liderar a multidão em uma apresentação de uma canção patriótica chinesa.

Meng, de 49 anos, filha do fundador da Huawei Ren Zhengfei e apelidada de a "princesa" da Huawei, livrou-se, assim, da ameaça de extradição aos Estados Unidos, que a acusam de fraude bancária.

- Os "dois Michaels" fora da China -

Quase ao mesmo tempo, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, anunciou a libertação dos dois cidadãos canadenses que estavam presos na China desde o final de 2018, dias após a detenção de Meng, em uma operação que Ottawa sempre encarou como uma retaliação.

Os "dois Michaels", como são conhecidos em seu país, foram acusados de espionagem em um caso que, segundo as autoridades canadenses, tinha sido "claramente inventado". Neste sábado, pousaram em Calgary, no oeste de país, e foram recebidos por Trudeau.

"É maravilhoso, é fantástico estar de volta ao Canadá e estou enormemente agradecido a todos os que trabalharam tão arduamente para nos trazer para casa", declarou Michael Kovrig.

Na sexta-feira, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, elogiou a decisão das autoridades chinesas de libertar os dois canadenses após sua prisão "arbitrária".

A China, por sua vez, sempre considerou o caso Meng como "um incidente puramente político".

Neste sábado, uma porta-voz do governo chinês, Hua Chunying, disse que as acusações contra Wanzhou eram "totalmente infundadas".

O retorno de Meng à China foi o resultado de um acordo entre o Departamento de Justiça e a gigante chinesa, anunciado na sexta-feira por um tribunal de Nova York.

Meng chegou a um acordo para adiar o ajuizamento para evitar as acusações de fraude por crimes graves.

O governo dos Estados Unidos propôs "adiar" o processo contra a empresária até o final de 2022. Se antes de 1º de dezembro do ano que vem o pacto não for impugnado ou rompido, as autoridades dos EUA retirarão todas as acusações.

Além disso, o acordo previu que os Estados Unidos aconselhariam o Canadá a soltar Meng e retirar o processo de extradição.

- "Uma espinha a menos" -

A Justiça americana a acusou de ter mentido para um executivo do banco HSBC durante uma reunião em Hong Kong em 2013 sobre os vínculos entre o grupo chinês e uma subsidiária chamada Skycom que vendia equipamentos para o Irã.

Segundo o Departamento de Justiça americano, a acusada, que sempre negou estes fatos, admitiu ter desempenhado um "papel fundamental" na época e "dissimulado a verdade" ante a diretoria do HSBC sobre as atividades da Huawei no Irã.

Neste sábado, a Huawei declarou que "se defenderá" destas acusações, segundo as quais a companhia contornou as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã.

Neste sábado, a Huawei declarou que vai "se defender" das acusações segundo as quais a empresa ignorou as sanções contra o Irã.

Na China, o reconhecimento de Meng desses fatos foi literalmente apagado da Internet.

A agência de notícias Xinhua declarou que ela estava retornando à China "graças aos esforços implacáveis do governo chinês" e o editor-chefe do jornal Global Times afirmou que ela foi "libertada após se declarar inocente".

A mídia estatal chinesa também não mencionou a libertação dos dois canadenses.

Embora as relações entre Canadá e China "nunca voltem a ser como antes", resolver esta situação é "uma espinha a menos" nas relações bilaterais, avaliou o ex-embaixador canadense na China, Guy Saint-Jacques.

Mas o fato de a libertação de Meng coincidir com a dos dois canadenses "confirma que há uma diplomacia de reféns" e que "funciona".

Com a prisão de Meng, a China considerou que o governo dos Estados Unidos, então a cargo de Donald Trump, buscava principalmente enfraquecer a Huawei, empresa líder mundial em equipamentos e redes 5G.

Desde 2019, a Huawei é alvo de sanções dos Estados Unidos, que acusam a empresa de espionar seus telefones em favor da China, o que enfraqueceu a empresa internacionalmente.


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