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Estado de Minas BUENOS AIRES

Fernández relança seu governo com novo gabinete após crise política na Argentina


20/09/2021 19:42

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, nomeou nesta segunda-feira (20) seus novos ministros para relançar o governo na tentativa de voltar a disputar as eleições legislativas de novembro e salvar sua coalizão de peronistas de centro-esquerda.

Em cerimônia na Casa Rosada, a sede do governo, Juan Manzur, o até então governador da província de Tucumán, assumiu como chefe do gabinete, substituindo Santiago Cafiero, que é questionado publicamente pela vice-presidente Cristina Kirchner.

Cafiero, que virou uma espécie de pomo de discórdia, foi nomeado chanceler, no lugar de Felipe Solá. Tomaram posse também os novos ministros da Agricultura, Julián Domínguez; da Segurança, Aníbal Fernández; da Educação, Jaime Perczyk; e de Ciência e Tecnologia, Daniel Filmus.

A nova equipe será composta por um governador marcante entre os líderes provinciais peronistas, como chefe de gabinete, e outros ministros com longa experiência de gestão, chave para as relações com quem detém poder territorial.

O resultado adverso obtido pelo governo nas primárias legislativas de 12 de setembro desencadeou uma crise interna sem precedentes na coalizão de governo Frente de Todos (centro-esquerda peronista), que conseguiu apenas 31% dos votos em nível nacional.

"Estamos passando o tempo da pandemia. Peço a cada um e a todos que usem todas as suas forças. A solução é que estejamos mais unidos do que nunca para enfrentar o que é necessário. Não vão me ver preso em disputas desnecessárias, disputas internas", declarou o presidente em um breve discurso antes de fazer os juramentos, para dar fim à crise.

O desastre nas primárias expôs divergências políticas entre Fernández e Kirchner, sua companheira de chapa que impulsionou sua candidatura à presidência em 2019.

Em carta dirigida ao presidente que veio à público na quinta-feira passada, depois de ministros próximos a ela disponibilizarem suas renúncias, ela assegurou ter alertado várias vezes para a possibilidade de uma derrota devido à "delicada situação social" e por "uma política fiscal de ajuste equivocada".

O homem de Kirchner no gabinete, Eduardo 'Wado' de Pedro, foi finalmente ratificado como ministro do Interior.

- Medidas -

O governo perdeu eleitores em locais tradicionalmente peronistas e em bairros populares, onde muitos nem sequer foram votar em um país onde a pobreza atinge 42% dos 45 milhões de argentinos.

A pandemia aprofundou a recessão que vinha desde 2018 e o crescimento registrado por alguns setores, como a indústria e a construção, ainda não repercutiu na duramente afetada economia informal, a fonte de renda de vários milhões de argentinos.

O governo Fernández pretende recuperar as simpatias perdidas com um pacote de medidas econômicas para ajudar os mais desfavorecidos e impulsionar o consumo, mas seu maior problema é domar a inflação, que chegou a 32,3% entre janeiro e agosto, acima dos 29% previstos no orçamento para todo o ano.

Em todo caso, o governo manteve o ministro da Economia, Martín Guzmán, a cargo de buscar uma solução para fazer frente à dívida de 44 bilhões de dólares, assinada pelo ex-presidente Mauricio Macri em 2018 com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Também não trocou o ministro da Produção, Matías Kulfas, encarregado do comércio interno e do controle de preços.

Se o resultado se repetir nas eleições de 14 de novembro, o governo perderia a maioria governista no Senado e a possibilidade de obtê-la na Câmara dos Deputados, com dois anos de mandato pela frente.


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