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Estado de Minas BUENOS AIRES

Os tropeços da vacina Sputnik V na América Latina


04/08/2021 19:35 - atualizado 04/08/2021 19:38

A Sputnik V foi a primeira vacina contra a covid-19 a chegar à Argentina, em dezembro de 2020, e em seguida a uma dezena de outros países da América Latina. Mas oito meses depois, a escassez das segundas doses pressiona os governos latino-americanos.

"Sinto que me enganaram, que é uma farsa. Tenho muitos colegas de trabalho, muitos vizinhos, aos quais chamaram para tomar a primeira dose e estamos à espera da segunda", lamentou-se à AFP AFP Noreyda Hernández, professora de 66 anos, às portas de um centro de vacinação da cidade venezuelana de Maracaibo.

Cenas similares se repetem na Bolívia, onde os adultos mais velhos que vão aos centros de vacinação encontram cartazes que indicam que a segunda dose da Sputnik "será adiada até novo aviso".

"Já estamos cansados, perguntamos cada vez e é a mesma resposta: 'O governo tem que dizer', mas o que o governo vai dizer quando não sabe nada? Talvez o Ministério da Saúde, mas tampouco informa algo que possa nos tranquilizar", disse à AFP em La Paz Germán Alarcón, de 70 anos.

Diferentemente das outras vacinas de duas doses contra a covid-19, a Sputnik V foi a única concebida com "a abordagem do reforço heterogêneo", pois utiliza o serotipo 26 de adenovírus humano como primeiro componente e o serotipo 5 como segundo componente.

Isso impede que o primeiro e o segundo componente possam ser intercambiados e limita a capacidade dos governos para decidir como aplicar as doses disponíveis, diante das dificuldades da Rússia para oferecer a segunda vacina.

- Estender prazos, buscar outras vacinas -

Na maioria dos países latino-americanos, optou-se por estender o prazo de espera entre a primeira e a segunda doses, de um mínimo de 21 dias para um máximo de 90, mas mesmo assim as vacinas de segundo componente não bastam.

"Recebi a vacina Sputnik em 21 de abril e ainda espero a segunda dose", lamentou nesta quarta-feira, em Buenos Aires, Josefina Bermúdez, de 72 anos, que considera uma ironia que seu neto de 25 anos já tenha o esquema vacinal completo com a Sinopharm, aplicada em um intervalo de três semanas.

Ao ser das primeiras vacinas disponíveis na América Latina, a Sputnik foi destinada principalmente ao pessoal de saúde e aos idosos, que constituem a população mais vulnerável à covid-19.

Devido aos atrasos, a Argentina ameaçou em julho romper o contrato com a Rússia e a Guatemala optou por cancelar a compra de 8 milhões de doses.

Paralelamente, a Argentina desenvolveu testes para substituir o segundo componente da Sputnik pelas outras vacinas com que conta: AstraZeneca, Sinopharm e Moderna.

Segundo os primeiros resultados, divulgados nesta quarta, a Sputnik pode ser combinada com os imunizantes da AstraZeneca e da Moderna, e portanto esta possibilidade será oferecida a quem espera completar seu esquema de vacinação. Os testes com a Sinopharm ainda não são conclusivos, informou a ministra da Saúde argentina, Carla Vizzotti.

- Produção própria -

Em busca de uma solução duradoura às suas dificuldades para produzir a quantidade suficiente de vacinas, a Rússia fez acordos com laboratórios de Argentina e México que serão encarregados de fracionar e envasar as doses.

"Graças ao aumento importante da capacidade de produção de vacinas, os atrasos temporários na entrega do segundo componente - que ocorreram por causa de um aumento da produção - serão completamente resolvidos em agosto", informou em um comunicado o Fundo de Investimentos Diretos da Rússia, que financiou o desenvolvimento da Sputnik V.

Na Argentina, o laboratório privado Richmond deve administrar cerca de 3 milhões de doses do segundo componente antes do fim do mês, depois que se anunciou que suas primeiras amostras passaram no controle de qualidade.

No México, o laboratório estatal Birmex destacou esta semana à AFP que o envase piloto já terminou e espera obter num prazo de 20 dias o aval do laboratório russo.

A produção do Birmex será destinada principalmente ao México, e mais adiante poderá ser exportada a outros países da região.

No total, a Rússia estabeleceu associações de produção de sua vacina em 14 países.


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