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Estado de Minas SARAJEVO

Sérvios da Bósnia rejeitam proibição de negar o genocídio


30/07/2021 15:39

Os sérvios da Bósnia rejeitaram oficialmente nesta sexta-feira (30) a proibição recente de negar o genocídio e aprovaram uma nova legislação que estabelece penas de prisão para os que acusarem as forças sérvias da Bósnia de "genocidas".

Uma semana depois da decisão do Alto Representante da ONU de proibir a negação do massacre de Srebrenica e outros massacres deste tipo, os deputados sérvios da Bósnia se reuniram para decidir sua resposta.

O Parlamento da República de Srpska, a entidade sérvia deste país dividido por etnias, aprovou uma lei de "não aplicação" do crime de negação de genocídio e outro texto que prevê penas de até 15 anos de prisão para aqueles que "violarem a reputação da República de Srpska".

"Nunca mais permitiremos que alguém nos chame de genocidas (...) e nos humilhe", disse à imprensa Nedeljko Cubrilovic, presidente deste Parlamento, após a votação.

No passado, alguns líderes muçulmanos bósnios descreveram o Parlamento da República de Srpska como uma assembleia "genocida", em uma referência ao massacre de Srebrenica, realizado em 1995 pelo Exército sérvio-bósnio.

Uma semana antes de deixar o cargo de Alto Representante, o diplomata austríaco Valentin Inzko usou seu poder discricionário em 23 de julho para introduzir uma pena de até cinco anos de prisão para aqueles que negarem ou minimizarem os crimes de guerra ou de genocídio na Bósnia.

Esta decisão indignou os líderes sérvio-bósnios, que anunciaram na segunda-feira um boicote das principais instituições do país.

O massacre de Srebrenica, no qual as forças sérvias da Bósnia mataram cerca de 8.000 crianças e adolescentes muçulmanos bósnios, ocorreu vários meses antes do fim do conflito étnico (1992-95) e deixou 100.000 mortos.

Foi classificado como ato de genocídio pela Justiça internacional.

Os responsáveis políticos sérvios, tanto na Bósnia e Herzegovina quanto na Sérvia, costumam minimizar ou negar este massacre, que reconhecem apenas como um "crime grave".


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