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Estado de Minas AYACUCHO

Castillo empossa seu número dois em cerimônia em Ayacucho


29/07/2021 17:26 - atualizado 29/07/2021 17:31

O novo presidente do Peru, Pedro Castillo, empossou nesta quinta-feira (29) como seu chefe de gabinete o legislador Guido Bellido, em uma cerimônia com a presença de líderes estrangeiros no local da histórica batalha de Ayacucho, em 1824, ao dia seguinte de sua posse em um clima polarizado.

O esquerdista Castillo iniciou seu mandato de cinco anos em meio à esperança de milhares de compatriotas, mas também à preocupação de muitos peruanos que temem uma forte virada para o socialismo após décadas de políticas liberais.

No local da batalha reuniram-se milhares de moradores, que assistiram à posse de Bellido, um engenheiro eletrônico de 41 anos, sem experiência em cargos públicos e origem camponesa como Castillo.

Juro "pelos mais de 30 milhões" de irmãos peruanos e "pela luta contra a corrupção", disse Bellido, líder do partido governista Peru Livre e natural da região andina de Cusco.

Bellido foi um dos 37 candidatos do Peru Livre eleitos para o Congresso nas eleições de abril, coincidindo com o primeiro turno presidencial. No Peru, os parlamentares podem ocupar simultaneamente cargos no governo.

A mídia peruana informou que o Ministério Público investigou Bellido este ano por suposta "apologia ao terrorismo", por meio de declarações em uma entrevista, antes de assumir sua cadeira no Congresso na sexta-feira, o que lhe concede imunidade.

A nomeação de Bellido "é uma mensagem que polariza", reagiu o parlamentar de extrema direita Alejandro Cavero, em declarações à rádio RPP de Lima.

Castillo, de 51 anos, empossará na noite desta quinta-feira, em Lima, outros 18 ministros, informou a Presidência.

Bellido deve comparecer antes de um mês ao Congresso para pedir um voto de confiança ao novo gabinete. Se for rejeitado, Castillo terá que nomear outro primeiro-ministro e reorganizar o gabinete.

Em sua posse, Castillo anunciou que enviará ao Congresso um projeto de reforma da Constituição, que favorece o liberalismo econômico e foi promulgada em 1993 pelo presidente Alberto Fujimori, o pai preso de sua adversária no segundo turno, em 6 de junho, Keiko Fujimori.

Keiko respondeu dizendo que seu partido, Força Popular, "será um muro de contenção firme em face da ameaça latente de uma nova constituição comunista", enquanto dezenas de seus apoiadores se manifestaram nas ruas contra o novo governante, um professor rural da região norte de Cajamarca.

"Vamos insistir nessa proposta, mas dentro do marco legal que a Constituição prevê. Teremos que conciliar posições com o Congresso", disse Castillo, cujo partido, Peru Livre, tem apenas 37 das 130 cadeiras. A segunda bancada é a Força Popular, com 24.

- "Clima de desconfiança" -

Castillo também anunciou que não dirigirá o país a partir do Palácio de Pizarro, a casa do governo, já que pretende transformá-la em museu, e prometeu que no final do mandato retomará suas "tarefas habituais de ensino", sugerindo que não pretende ficar para sempre no poder.

A proposta de conversão do Palácio também gerou polêmica e Otero avaliou que "transformá-lo em museu vai exigir uma fortuna".

Castillo e várias autoridades estrangeiras participaram nesta quinta-feira da cerimônia na Pampa de La Quinua, cenário da batalha de Ayacucho em 9 de dezembro de 1824, que selou a independência do Peru e no resto da América espanhola.

O local da batalha fica a 3.400 metros do nível do mar, onde um obelisco de mármore comemora a vitória patriótica.

A nomeação dos principais colaboradores do novo presidente deve dar um sinal aos mercados, que ficaram inquietos com o anúncio da reforma constitucional, embora se tratasse de uma promessa de campanha.

A reforma causa "mais instabilidade" e "um clima de desconfiança", disse o chefe da organização peruana de liderança empresarial (Confiep), Óscar Caipo, à rádio RPP.

"O gabinete, acredito, será amplamente liderado pelo Estado, e não setorizado", disse Otero, ex-assessor do falecido presidente Alan García.

- Guinada na política com a Venezuela -

Castillo reiterou em sua primeira mensagem que não fará desapropriações, embora tenha esclarecido que promoverá um "novo pacto com investidores privados".

O presidente tem o desafio de reativar uma economia duramente atingida pela pandemia, que despencou 11,12% em 2020, além de acabar com as convulsões políticas que levaram o país a ter três presidentes em novembro de 2020.

Horas após a posse de Castillo, o ministro das Relações Exteriores do governo venezuelano de Nicolás Maduro, Jorge Arreaza, chegou a Lima, cuja visita marca uma virada na política externa do Peru, que em 2019 reconheceu o opositor Juan Guaidó como presidente interino venezuelano, como outros 60 países.

Arreaza esteve presente na cerimônia em Ayacucho, onde Castillo convocou as autoridades nacionais e locais para "trabalhar pelo Peru".

A Venezuela foi um tema recorrente na campanha no segundo turno, pois a candidata Fujimori afirmou que seu adversário pretendia seguir os passos de Maduro. Castillo negou ser "chavista" ou querer copiar o modelo venezuelano.

A posse contou com a presença do Rei Felipe VI da Espanha, cinco presidentes (Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile e Equador) e dois vice-presidentes (Brasil e Uruguai), além de um enviado do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o secretário da Educação, Miguel Cardona.

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