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Estado de Minas BEIRUTE

Presidente do Líbano encarrega ex-premier de formar governo


26/07/2021 19:20 - atualizado 26/07/2021 19:26

O presidente libanês, Michel Aoun, encarregou nesta segunda-feira (26) o ex-primeiro-ministro Najib Mikati de formar um governo, após o fracasso de seus antecessores em acabar com o bloqueio político no país, mergulhado em uma crise profunda.

Najib Mikati, 65 anos, o homem mais rico do Líbano e uma das maiores fortunas do Oriente Médio, já liderou o governo em duas ocasiões anteriores.

O atual executivo do primeiro-ministro Hassan Diab estava no cargo desde sua renúncia em agosto, após a gigantesca explosão no porto de Beirute que matou mais de 200 pessoas e devastou a capital.

Desde então, o bloqueio político se perpetua, entre negociações intermináveis que impedem a formação de um governo exigido pela comunidade internacional. Dois primeiros-ministros nomeados já jogaram a toalha.

As consultas entre o presidente Michel Aoun e os diferentes grupos parlamentares terminaram nesta segunda com o apoio de 72 parlamentares ao nome de Mikati - 42 abstenções.

Ele substituirá Saad Hariri, o ex-primeiro ministro designado que renunciou em 15 de julho depois de uma disputa de nove meses com o presidente.

A França, com importantes interesses no Líbano e envolvida na reconstrução do país, reagiu a esta nomeação dizendo que "o urgente agora é formar um governo competente e que promova as reformas indispensáveis."

A União Europeia apontou como "crucial" a formação de "um governo responsável" e pediu a adoção de reformas para evitar "um colapso financeiro".

- 'Tarefa difícil' -

Depois de se encontrar com Aoun, Mikati disse estar ciente da tarefa difícil que o aguarda. "Mas se não tivesse as garantias externas necessárias, não teria assumido" esta responsabilidade, declarou. "Preciso da confiança do povo. Sozinho, não posso fazer milagres", acrescentou, pedindo a colaboração de todos os partidos políticos, que costumam transformar a formação de governos no Líbano em um mercado interminável de cargos.

Mikati recebeu o apoio de Saad Hariri e seu grupo parlamentar e também do movimento armado xiita Hezbollah, aliados do presidente Aoun e uma força política inescapável no país.

O milionário prometeu um gabinete de acordo com "as expectativas do povo" que terá como missão principal "implementar a iniciativa francesa" do presidente Emmanuel Macron, que em uma visita ao Líbano em setembro de 2020 propôs ajuda internacional em troca de reformas econômicas.

Agora, ele terá que apresentar uma lista de ministros aceita pelas principais figuras da classe dominante do país, tida como corrupta.

- Símbolo de corrupção -

Com uma fortuna estimada em US$ 2,7 bilhões de acordo com a revista "Forbes", Mikati é visto por muitos como símbolo de uma classe dominante incompetente e corrupta, que sobreviveu a um levante popular sem precedentes no fim de 2019.

Na época suspeito de enriquecimento ilícito, Mikati gozava de pouca popularidade, inclusive em sua cidade natal, Trípoli (norte), a mais pobre do país. Na noite deste domingo, dezenas de pessoas protestaram em frente à sua residência em Beirute, acusando-o de corrupção e nepotismo.

Mas os líderes partidários o veem como o candidato consensual, capaz de formar um governo confiável que libere ajuda internacional crucial.

A comunidade internacional prometeu injetar bilhões de dólares se um governo fosse formado para combater a corrupção.

Esta condição permanece não cumprida, enquanto o colapso econômico do país leva a uma pobreza massiva, hiperinflação e todos os tipos de carências para a sua população.

Em julho, a França anunciou uma nova conferência de ajuda internacional para o Líbano em 4 de agosto, o primeiro aniversário da explosão do porto de Beirute.


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