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Estado de Minas WASHINGTON

Washington sanciona ministro cubano e Havana diz que EUA devem se preocupar com sua própria violência


22/07/2021 17:03 - atualizado 22/07/2021 17:14

Os Estados Unidos impuseram, nesta quinta-feira (22), sanções ao ministro da Defesa cubano, Álvaro López Miera, e a uma unidade do ministério do Interior, devido à "repressão" aos recentes "protestos pacíficos e pró-democracia" na ilha, e ameaçou lançar novas medidas punitivas.

Cuba, por sua vez, rechaçou as sanções anunciadas, chamando-as de "caluniosas", e disse que os Estados Unidos deveriam, em vez disso, enfrentar a repressão e a violência social em seu próprio território.

"Este é apenas o começo; os Estados Unidos continuarão a punir os responsáveis pela opressão do povo cubano", advertiu o presidente Joe Biden, ao condenar "inequivocamente" as "prisões em massa e a farsa dos julgamentos" contra os manifestantes.

"Os Estados Unidos apoiam os corajosos cubanos que saíram às ruas para se opor a 62 anos de repressão sob o regime comunista", disse ele em um comunicado.

Biden prometeu trabalhar internacionalmente, inclusive com a Organização dos Estados Americanos (OEA), para "pressionar o regime a libertar imediatamente os presos políticos detidos injustamente, restaurar o acesso à internet e permitir que os cubanos gozem de seus direitos fundamentais".

Em 11 de julho, milhares de cubanos saíram às ruas de cidades de toda Cuba aos gritos de "Estamos com fome!", "Liberdade!" e "Abaixo a ditadura!", em meio à pior crise econômica do país em décadas e ao maior aumento de infecções e mortes por covid-19 desde o início da pandemia.

As manifestações foram consideradas "pacíficas" pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA, que, ao condenar "a repressão estatal e o uso da força", relatou pelo menos uma morte e 151 pessoas presas ou com paradeiro desconhecido. Também descreveu vários ataques da polícia contra membros da imprensa.

"O povo cubano está protestando pelos direitos fundamentais e universais que seu governo deve lhes garantir", frisou a secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, ao anunciar as sanções nesta quinta-feira.

O Departamento do Tesouro informou que seu Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) congelou os bens e interesses de López Miera, bem como da Brigada Nacional Especial do Ministério do Interior de Cuba, por supostos abusos dos direitos humanos cometidos durante as manifestações.

- "Sanções infundadas" -

O chanceler cubano Bruno Rodríguez declarou no Twitter que os Estados Unidos "deveriam aplicar a Lei Global Magnitsky a si mesmos por atos de repressão cotidiana e brutalidade policial que custaram 1.021 vidas em 2020".

Essa lei permite que os Estados Unidos sancionem estrangeiros suspeitos de graves violações dos direitos humanos ou corrupção em grande escala e apliquem sanções econômicas e migratórias por esses atos ilegais.

Rodríguez descreveu como "infundadas e caluniosas" as sanções americanas contra seu ministro da Defesa e uma brigada policial.

"Repudio as sanções infundadas e caluniosas do governo dos EUA contra o GCE, Álvaro López Miera e a Brigada Especial Nacional", disse o chanceler.

Além das sanções, Biden confirmou que seu governo está considerando a possibilidade de permitir novamente as transferências de dinheiro na forma de remessas a Cuba e se comprometeu a aumentar o quadro de funcionários da embaixada dos Estados Unidos em Havana para "fornecer serviços consulares aos cubanos", o que pode eventualmente propiciar vistos americanos para aqueles que desejam deixar o país.


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