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Estado de Minas HAVANA

Bispos católicos pedem 'compreensão' perante protestos em Cuba


13/07/2021 19:51

Bispos católicos pediram "compreensão" entre o governo e as lideranças dos inúmeros protestos que abalaram Cuba no domingo e na segunda-feira, pedindo que o confronto e a violência sejam evitados.

"O papa Francisco nos ensina e, por sua vez, nas experiências vividas, que as crises não são superadas pelo confronto, mas pela busca de um entendimento", afirmaram os prelados em comunicado datado de segunda-feira, mas publicado nesta terça-feira no site da Conferência Episcopal.

No domingo "milhares de pessoas saíram às ruas de cidades e vilas de Cuba, protestando publicamente, expressando seu desconforto pela deterioração da situação econômica e social que vive nosso povo e que se acentuou significativamente", indicaram os bispos.

Reconhecem que o governo do presidente Miguel Díaz-Canel "tem procurado tomar medidas para amenizar as dificuldades mencionadas, mas também entendemos que o povo tem o direito de expressar suas necessidades, desejos e esperanças".

Em Cuba, governada pelo Partido Comunista (PCC), só houve uma negociação política interna em 60 anos, realizada pelo então presidente Raúl Castro e pelo cardeal Jaime Ortega (1936-2019), em maio de 2010, que levou à libertação de mais de 130 presos políticos.

O atual líder da Igreja Católica em Cuba é o cardeal Juan García Rodríguez.

"Estamos preocupados que as respostas a essas reivindicações (dos manifestantes) sejam a imobilidade que contribui para dar continuidade aos problemas, sem resolvê-los", afirmam os bispos.

"Não vemos apenas que as situações pioram, mas também caminhamos para uma rigidez e endurecimento de posicionamentos que podem gerar respostas negativas, com consequências imprevisíveis que prejudicariam a todos", continuam.

O presidente Díaz-Canel incentivou os revolucionários para que enfrentassem os protestos nas ruas, onde ocorreram inúmeros confrontos violentos, que já deixaram um morto, e mais de uma centena de prisões de opositores.

"A violência gera violência, a agressividade de hoje abre feridas e alimenta ressentimentos para o amanhã que exigirão muito trabalho para superar", ressaltam os bispos, que chamam a todos para com "serenidade de espírito e boa vontade, exercitar a escuta, a compreensão e uma atitude de tolerância".


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