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Estado de Minas CANNES

Sean Penn é aplaudido em Cannes cinco anos após ser vaiado


10/07/2021 20:47 - atualizado 10/07/2021 20:55

O ator e diretor americano Sean Penn foi aplaudido neste sábado (10) durante vários minutos ao final da exibição de "Flag Day", filme no qual atua com os filhos, cinco anos após receber vaias no Festival do Cannes.

O astro de Hollywood assistiu à estreia oficial do filme, na disputa pela Palma de Ouro, com sua filha Dylan, a protagonista do longa, e seu filho Hopper Jack, que tem um papel mais coadjuvante.

"Confiamos no roteiro, com uma história que pode nos surpreender e que esperamos que surpreenda o público", declarou o cineasta de 60 anos ao chegar ao tapete vermelho.

Baseado em uma história verídica, "Flag Day" conta a vida de um pai, John Vogel (Sean Penn), que vive de pequenos furtos e não pode cuidar de seus filhos.

Em 2016, o filme "A Última Fronteira", de Penn, estrelado por Javier Bardem e Charlize Theron, foi tão criticado que nem chegou aos cinemas nos Estados Unidos.

O artista, que ganhou dois Oscars como ator, apareceu pela primeira vez na competição de Cannes com "Loucos de Amor" (1997), de Nick Cassavetes, pelo qual recebeu o prêmio de melhor atuação.

Com "Flag Day", o diretor concorre pela terceira vez à Palma de Ouro, após "A Última Fronteira" e "A Promessa" (2001).

- Coletes amarelos na França -

"Flag Day" concorre com 23 outros filmes pelo principal prêmio do festival, que será entregue no dia 17 de julho pelo júri presidido pelo cineasta americano Spike Lee.

Até o momento, sete estrearam e a crítica já começou a se posicionar. "Annette", o musical com Adam Driver e Marion Cotillard que abriu a competição na terça-feira, é de longe o favorito.

Mas "The worst person in the world", o retrato sutil de um homem de trinta anos assombrado por dúvidas - o que estudar? Quem amar? O que fazer com tanta liberdade? -, atraiu a atenção como um espelho fiel da geração dos millennials, conquistando a aprovação geral.

Trata-se do último filme da trilogia ambientada em Oslo do norueguês Joachim Trier, interpretado por uma atriz até então pouco conhecida, Renate Reisnve.

Dois filmes baseados em fatos reais e estrelados por lésbicas também foram exibidos na sexta-feira. Embora as semelhanças terminem aqui.

O primeiro, "Benedetta", esperado filme do holandês Paul Verhoeven, é um retrato de uma freira lésbica na Itália do século XVII.

Como as protagonistas femininas de seus filmes anteriores "Instinto Selvagem" (Sharon Stone) e "Elle" (Isabelle Huppert), Benedetta, interpretada pela francesa Virginie Efira, desenvolve uma capacidade de manipulação que transforma a congregação em que vive desde criança.

"La fracture", por sua vez, resgata o fenômeno dos coletes amarelos na França, movimento de protesto social que em 2018 colocou o governo em apuros.

O filme, dirigido pela francesa Catherine Corsini, recria um país em brasa: a cólera das classes populares, seu divórcio das autoridades e, ao mesmo tempo, homenageia as enfermeiras, que dão tudo de si nos serviços da emergência em troca de muita precariedade. Tudo isso com uma boa dose de humor para torná-lo mais digerível.

Por outro lado, a atriz francesa Léa Seydoux, que estrelou "Azul é a Cor Mais Quente" e aparecerá no próximo James Bond, pode perder o festival, onde atua em quatro filmes, já que testou positivo para covid-19, disse no sábado um assessor de imprensa.

Na mostra paralela Um Certo Olhar, um dos dois filmes latino-americanos em disputa também estreou na sexta-feira: "La Civil", da diretora romeno-belga Teodora Ana Mihai, que poderia ser definido como ação, mas que conta a realidade crua da violência no México.

O evento, cancelado em 2020 devido à pandemia, é realizado sob rígidas medidas sanitárias e todos os participantes - exceto europeus vacinados - precisam realizar um teste PCR a cada 48 horas. Segundo os organizadores, quase nenhum caso da doença foi detectado. "Não há um foco em Cannes", garantiu o diretor geral, Thierry Frémaux.


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