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Estado de Minas MADRI

Governo espanhol e separatistas catalães retomarão o diálogo em setembro


29/06/2021 17:29 - atualizado 29/06/2021 17:31

O governo espanhol de Pedro Sánchez e o Executivo separatista catalão retomarão o diálogo político na terceira semana de setembro para tentar resolver a maior crise política em décadas, anunciaram nesta terça-feira (29) as duas partes, reconhecendo grandes diferenças de posições.

"Na terceira semana de setembro, em Barcelona, será retomada a mesa de negociações para tratar do conflito político entre os dois governos", disse o presidente regional da Catalunha, Pere Aragonès.

"Comemoramos por conseguir desbloquear este espaço de negociação", disse Aragonès.

O anúncio foi divulgado uma semana após o governo de Sánchez, que tem minoria no Parlamento espanhol e dependente dos separatistas, conceder indulto a nove líderes catalães presos pela tentativa fracassada de secessão de 2017.

Com este gesto, muito criticado pela oposição de direita, Sánchez disse querer abrir uma nova etapa na Catalunha, onde na última década o impulso soberanista dividiu a sociedade catalã em duas, entre partidários e detratores da secessão.

Entre os beneficiários do indulto está o ex-vice-presidente regional catalão Oriol Junqueras, líder do partido Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), ao qual o próprio Aragonès pertence.

Em Madri, Aragonès apresentou suas exigências: um referendo de autodeterminação para a Catalunha e anistia para todos os indiciados pela tentativa de secessão de 2017.

Dois extremos que o executivo de Sánchez rejeita totalmente, como destacou com firmeza a porta-voz María Jesús Montero, minutos depois, afirmando que "em nenhum momento o presidente Sánchez discutiu estas questões", a autodeterminação e o referendo.

Montero reconheceu que ambas as partes retomarão o diálogo político com diferenças "abissais" em suas abordagens básicas e acrescentou que "o governo não é ingênuo e sabe que esse caminho não é fácil".

Em todo caso, Montero explicou que o Executivo espanhol está aberto a ampliar ainda mais a autonomia da Catalunha, que já conta com extensos poderes (educação, saúde, polícia própria, administração penitenciária). E insistiu, como Sánchez em relação aos perdões, na ideia de "abrir uma nova etapa na Catalunha" e "romper com uma dinâmica de confronto".

Tanto Montero quanto Aragonès explicaram que, em paralelo à mesa de negociações, serão desenvolvidos trabalhos de uma comissão bilateral entre os governos central e catalão.

Nesta comissão, que se reunirá neste mês de julho, será discutida a possibilidade de o Estado fazer mais investimentos em infraestrutura na Catalunha.

O pedido é frequente entre os Executivos da região e será favorecido pela chegada à Espanha dos fundos europeus de recuperação pós-pandemia NextGeneration.

Aragonès também criticou o Tribunal de Contas, o órgão que fiscaliza os gastos públicos na Espanha, por cobrar 5,4 milhões de euros de dezenas de ex-líderes catalães envolvidos no processo de independência fracassado.

A cobrança foi feita na terça-feira a Junqueras e também a Carles Puigdemont, presidente catalão quando o referendo de autodeterminação ilegal foi realizado em 1 de outubro de 2017, e atualmente foragido da justiça espanhola na Bélgica.

Segundo Aragonès, a exigência do Tribunal de Contas representa uma "perseguição" ao separatismo.


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