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Estado de Minas MOSCOU

Kremlin admite fracasso quanto à meta de vacinação contra covid


29/06/2021 13:56

A Rússia falhará em sua meta de vacinar 60% de sua população contra covid durante o outono (boreal), admitiu o Kremlin, enquanto o país registrou o maior número de mortes em um único dia nesta terça-feira (29).

"É claro que não chegaremos aos 60%", disse o porta-voz do governo russo, Dmitri Peskov, referindo-se à meta fixada na primavera por Vladimir Putin.

"O número de pessoas que querem ser vacinadas só começou a aumentar esta semana", acrescentou Peskov, sem fornecer números.

Na Rússia, a população desconfia das vacinas desenvolvidas no país, como a Sputnik V, o que explica em parte esse fracasso.

"Notamos um aumento significativo no percentual de vacinação", disse Mikhail Murashko, ministro da Saúde, acrescentando que 23 milhões de russos, de 146 milhões, receberam ao menos uma dose, mas sem especificar a taxa de crescimento de vacinação que isso representa durante um período determinado.

Ele afirmou ainda que atualmente existem doses suficientes no país para imunizar 32 milhões de pessoas.

Inúmeras regiões, enfrentando uma terceira onda epidêmica que varre a Rússia desde meados de junho, tornaram a vacinação obrigatória para certos grupos da população, especialmente de acordo com as categorias profissionais.

"Cada vez mais cidadãos se conscientizam" da necessidade de se vacinar, comentou o porta-voz do Kremlin.

Para as autoridades de saúde, é a única forma de interromper definitivamente o curso do coronavírus e sua variante Delta, que apareceu na Índia e é responsável pela terceira onda na Rússia.

- Recorde -

O governo informou nesta terça-feira que um total de 652 pessoas morreram de covid-19 nas últimas 24 horas, um número recorde desde o início da epidemia.

"Existem 182.000 leitos (hospitalares) e 151.000 pacientes estão sendo tratados", informou Murashko na reunião do governo dedicada ao novo aumento de casos devido à variante Delta da pandemia. É uma ocupação de cerca de 83% dos leitos do país.

"A situação é tensa, principalmente nas grandes cidades", acrescentou.

São Petersburgo, a segunda maior cidade do país e que na sexta-feira vai receber uma partida das quartas de final da Eurocopa, registrou 119 mortes.

Moscou, principal foco de casos e mortes, registrou 121 mortes nesta terça-feira.

A situação de Moscou continua "extremamente difícil", ressaltou o prefeito, Serguei Sobianin, que informou sobre quase 15.000 leitos ocupados, considerando este nível "extremamente alto, dado que uma parte significativa (dos pacientes) está em situação grave ou muito grave em cuidados intensivos".

As autoridades registraram 20.616 novos casos em um único dia em todo o país.

No total, a Rússia já lamenta 134.545 mortes, tornando-se o país europeu mais afetado, de acordo com estatísticas do governo.

No entanto, a agência de estatísticas Rosstat, que tem uma definição mais ampla sobre as mortes ligadas à covid-19, já registrava cerca de 270.000 mortes no final de abril.

Sobianin impôs restrições na capital nas últimas duas semanas, as primeiras em quase seis meses, mas como durante a onda de inverno, ele rejeita qualquer tipo de confinamento estrito para preservar a economia.

Na tentativa de conter a epidemia, Moscou voltou a impor o teletrabalho a pelo menos 30% dos empregados não vacinados, tornou obrigatória a vacinação dos trabalhadores do setor de serviços e criou um cartão de saúde para restaurantes.


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