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Estado de Minas PARIS

Partidos tradicionais de direita e esquerda se recuperam na França


28/06/2021 09:58

Os partidos tradicionais de direita e esquerda na França recuperaram legitimidade no domingo (27) com suas vitórias no segundo turno das eleições regionais, ganhando força para a presidencial de 2022.

A direita moderada de Os Republicanos (LR) e seus aliados conseguiram preservar sete das 13 regiões metropolitanas, como Ilê-de-France, que inclui Paris e reúne mais de 12 milhões de habitantes.

"É uma tremenda vitória para nós", comemorou Christian Jacob, presidente do Os Republicanos, para quem a direita moderada é "claramente a única força de alternância".

Já o Partido Socialista (PS), que na última eleição presidencial sofreu uma derrota histórica ao obter apenas 6% dos votos, desta vez se saiu bem ao manter o controle de cinco regiões.

Para o secretário da sigla, Olivier Faure, estas eleições confirmam que o PS é "o motor" da esquerda, e que, por isso, tem o dever "de unir toda esquerda e os ambientalistas para a próxima eleição presidencial".

Apesar desses resultados animadores para os partidos tradicionais, vários analistas pedem cautela, já que os dois turnos dessas eleições foram marcados por uma abstenção massiva de 66%, um recorde desde o estabelecimento da Quinta República, em 1958.

Para a cientista política Céline Braconnier, em um contexto de alta abstenção, "o que medimos foi a capacidade de um eleitorado muito mais velho de continuar indo às urnas".

- "Fraturas e ambições pessoais" -

Ambas as forças enfrentarão o desafio de nomear um líder capaz de abalar o duelo planejado entre o presidente Emmanuel Macron e a líder da extrema direita Marine Le Pen para o segundo turno da eleição presidencial, que há muito é considerado o cenário mais provável.

Três figuras saíram mais fortes das eleições de domingo. A primeira delas é Xavier Bertrand, que conquistou uma vitória confortável na região Hauts-de-France (norte) e já anunciou sua candidatura para 2022.

A segunda é a vencedora em Île-de-France, Valérie Pécresse, que disse nesta segunda-feira que anunciará se será candidata ao Eliseu após o verão (inverno no Brasil). E a terceira é Laurent Wauquiez, vencedor em Auvergne-Rhône-Alpes.

A esquerda enfrenta, por sua vez, um desafio ainda maior: o de criar uma candidatura comum entre socialistas, comunistas, ambientalistas e a esquerda radical, e não repetir o cenário de 2017, em que o eleitorado dispersou seus votos em uma esquerda desunida.

"Apesar das coalizões criadas para as eleições regionais, fraturas e ambições pessoais provavelmente persistirão com vistas à eleição presidencial", escreveu o jornal de esquerda Libération, com pessimismo.

- Macron e Le Pen, debilitados -

Em contrapartida, os partidos dos dois grandes favoritos para a presidencial do próximo ano, Emmanuel Macron e Marine le Pen, saíram dessas eleições enfraquecidos.

A legenda do chefe de Estado, A República em Marcha (LREM), não conquistou nenhuma região metropolitana e obteve pontuação nacional muito baixa, abaixo de 10%. Este percentual confirma que o jovem partido presidencialista não conseguiu fincar raízes locais.

O partido de extrema direita Agrupamento Nacional, de Le Pen, perdeu na região da Provence-Alpes-Côte d'Azur (PACA, sudeste), a única onde tinha chance de vencer no segundo turno.

"É impossível fingir que o cenário político não mudou: a dinâmica, esse fator importante da política, mudou de lado. Não está mais do lado do LREM, nem do Agrupamento Nacional", avaliou o jornal liberal L'Opinion.

Apesar da amarga derrota de seu partido, Marine Le Pen não abaixa os braços e chamou os franceses a "construir uma alternância" no próximo ano.


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