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Estado de Minas BRUXELAS

Chefe da Comissão Europeia garante que atuará para defender seus valores


25/06/2021 12:47

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garantiu nesta sexta-feira (25), ao final de uma cúpula de dirigentes do bloco, que a UE vai agir em defesa dos seus valores, em referência à polêmica provocada por uma legislação adotada na Hungria e considerada homofóbica.

Os líderes da União Europeia (UE) realizaram uma cúpula na quinta e nesta sexta-feira que estava programada para discutir questões sobre a política externa do bloco, mas foi dominada pela polêmica e duras críticas ao primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban.

Na reunião, "a maioria de nós deixou muito claro que esta nova lei húngara vai contra nossos valores. E há um apoio esmagador à ideia de que devemos defender nossos valores", disse Von der Leyen ao final da reunião.

"Essa lei húngara é claramente discriminatória e, uma vez que é possível em uma democracia, vamos lutar contra ela usando todos os instrumentos jurídicos à nossa disposição", disse.

Von der Leyen lembrou que seu escritório enviou formalmente uma carta às autoridades húngaras expressando as preocupações do bloco no plano jurídico.

O governo Orban tem até a próxima quarta-feira para responder.

Nesta sexta à noite, o encontro de líderes europeus atingiu níveis de tensão sem precedentes diante das críticas pessoais a Orban.

Segundo fontes diplomáticas, no acalorado debate o primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, chegou a confrontar Orban que, caso não concordasse com os valores europeus, poderia ativar o artigo do regulamento de saída da UE.

- Discussão "difícil" -

Ao sair dessa reunião, o primeiro-ministro do Luxemburgo, Xavier Bettel, que é casado com um homem, não escondeu a sua amargura.

"Isso me decepcionou muito", disse Bettel, que recordou de um jantar com seu marido e Orban em Budapeste há alguns anos. Agora, disse ele, lamentava muito por não ter reconhecido o líder húngaro.

"É muito triste. Aceitar-se [como homossexual] já é difícil, mas ser estigmatizado é demais", comentou.

Nesta sexta-feira, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, disse em entrevista coletiva que o debate foi "difícil".

Ao seu lado, o primeiro-ministro de Portugal, Antonio Costa, disse claramente que "não se pode ser membro da UE se os seus valores não forem respeitados ou aceitos".

Por sua vez, o chefe do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que "um abismo os separa da concepção de democracia e sociedade, e de respeito pela diversidade, do atual governo húngaro".

Assim, sem estar formalmente incluída na pauta, a polêmica em torno da Hungria acabou dominando as discussões.

Nesta madrugada, os líderes também discutiram longamente como administrar o relacionamento da UE com a Rússia e, apesar dos esforços da Alemanha e da França, rejeitaram a ideia de uma cúpula com o presidente Vladimir Putin.

Os chefes de governo também analisaram o estado das relações com a Turquia, os contatos com países vizinhos do bloco por questões migratórias, bem como o andamento das campanhas de vacinação contra a covid-19 e o risco das variantes.


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