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Estado de Minas CABUL

Qual a situação do Afeganistão antes da visita de seu presidente a Washington?


24/06/2021 09:47

O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, visitará a Casa Branca na sexta-feira (25), no momento em que os talibãs registram grandes avanços militares no país.

Alguns temem que as forças governamentais afegãs não consigam lutar contra os insurgentes após a retirada das tropas americanas, prevista para terminar em 11 de setembro. Ao mesmo tempo, as negociações de paz entre os talibãs e o governo continuam paralisadas em Doha.

- Qual é a situação militar? -

Com a aceleração da retirada americana, os talibãs conseguiram avanços militares importantes e afirmam que controlam 80 dos 421 distritos afegãos.

Esta semana, os insurgentes assumiram o controle do posto de fronteira de Shir Khan Bandar (norte), a principal rota de saída do Afeganistão para o Tadjiquistão, vital para as relações econômicas com a Ásia central.

Os talibãs acusam as forças afegãs de abrir mão das armas ou de abandono dos postos sem combate. Para o governo, esta é uma retirada tática de posições isoladas para a concentração em locais estratégicos. Porém, mesmo quando entra em combate, o Exército afegão sofre muitas baixas.

Diante do avanço dos insurgentes, Ghani substituiu na semana passada os ministros do Interior e da Defesa. Muitos analistas, no entanto, consideram que ele está ficando sem opções.

Isto não significa que inevitavelmente os talibãs assumirão o controle do país. Se o Exército for bem comandado, os militares podem resistir nos principais centros urbanos.

"Os talibãs reforçam seu controle ao redor das grandes cidades. Mas não necessariamente vão tentar assumir o controle destas cidades no futuro próximo. A queda de Cabul não é iminente. Os talibãs não são uma máquina invencível", opina Andrew Watkins, analista do International Crisis Group.

- Qual é a situação política? -

Fontes próximas ao governo descrevem um presidente cada vez mais desconectado da realidade, isolado no palácio presidencial e sem muitos amigos.

"Ele escuta apenas três ou quatro pessoas, incluindo o chefe de gabinete, seu conselheiro de segurança nacional e, certamente, sua esposa", afirmou um diplomata ocidental que pediu anonimato. Ele acrescenta que Ghani "desconfia de todos".

O presidente afegão espera convencer os talibãs a aceitar um papel no governo interino de união nacional, que deve preparar o país para as eleições.

Mas os insurgentes, animados com as vitórias militares, não parecem ter a intenção de continuar negociando. Pretendem recuperar o controle do país e impor o mesmo regime fundamentalista de quando governaram entre 1996 e 2001.

Recentemente, os talibãs afirmaram que preservariam "os direitos de todos os cidadãos, homens e mulheres, à luz dos preceitos do Islã e das tradições da sociedade afegã".

O conservadorismo do grupo assusta alguns setores da sociedade. "Há motivos para acreditar que inclusive se tornaram mais radicais com o passar dos anos, pelo combate às tropas estrangeiras não muçulmanas", afirma o analista afegão Sayd Naser Mosawi.

"Os esforços dos talibãs para se apresentar como uma força eficaz, com a capacidade de governar o Afeganistão e conceder direitos às mulheres e às minorias não passa de uma farsa", completa.

- O que pensam os afegãos? -

Os afegãos que têm condições se esforçam para deixar o país e muitos altos funcionários já enviaram as famílias para o exterior, sobretudo para a Turquia.

Estados Unidos e outros países da Otan trabalham para fornecer vistos aos afegãos que trabalharam para eles, com o temor de que os talibãs os considerem traidores.

Os talibãs afirmam que estas pessoas não terão problemas caso se arrependam e alegam que estão dispostos a garantir a segurança dos diplomatas e dos trabalhadores humanitários.

Mas o mundo ainda recorda o comportamento brutal do grupo quando assumiu o controle de Cabul em 1996 e não confia nos insurgentes.

Muitos afegãos sonham com o fim de décadas de guerra. "Todos querem a paz. A maioria dos afegãos nunca teve a oportunidade de viver em paz", declarou Mary Akrami, diretora da Rede de Mulheres Afegãs.


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