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Estado de Minas EREVAN

Armênia vota em eleição polarizada após derrota contra o Azerbaijão


20/06/2021 12:17

Os armênios votaram neste domingo (20) em uma perigosa eleição legislativa para o primeiro-ministro reformista e que pode desencadear protestos em um contexto marcado pela derrota militar em Nagorno Karabakh, visto como uma humilhação nacional.

As zonas eleitorais abriram às 01h00 (Bras) e encerrarão 12 horas depois.

Cerca de 2,6 milhões de eleitores armênios são esperados às urnas para elegerem pelo menos 101 deputados por cinco anos, em um voto proporcional.

O ex-jornalista Nikol Pashinyan, 46, que se tornou chefe do governo em 2018 após uma revolução pacífica contra as elites corruptas, enfrenta o ex-presidente Robert Kocharian, 66, que se vangloria de sua experiência e acusa seu rival de incompetência.

"Votei por fronteiras seguras", um "exército forte" e um "fortalecimento das relações com a Rússia", disse Vardan Hovhannisyan à AFP, músico de 41 anos. "Só Kocharian pode fazer isso", acrescentou.

A popularidade recorde de Pashinyan entrou em colapso depois que a Armênia foi derrotada na guerra contra o Azerbaijão em 2020.

Após seis semanas de combates que causaram mais de 6.500 mortes, Yerevan teve que ceder territórios que controlava desde a primeira guerra na década de 1990 para Nagorno Karabakh, uma região separatista do Azerbaijão habitada principalmente por armênios.

- Crise política -

Esta derrota gerou uma crise política na Armênia, forçando Pashinyan a convocar eleições legislativas antecipadas na esperança de aliviar a tensão e reforçar sua legitimidade.

As reformas realizadas pelo primeiro-ministro não impediram que muitos de seus ex-apoiadores se distanciassem após a guerra de Nagorno Karabakh e voltassem para seus adversários, apesar de seus laços com as elites acusadas de saquearem o país.

Pashinyan obteve mais de 70% dos votos nas eleições legislativas de 2018 e agora espera chegar a 60%. Mas o único levantamento disponível dá apenas 25% ao seu Contratante Civil, atrás do de Kocharian, com quase 29%.

Diante do risco de uma derrota eleitoral ou de um resultado decepcionante, Pashinyan convidou seus eleitores a votarem nele para lhe dar um "mandato de aço".

- "Ódio e inimizade" -

Nos últimos dias da campanha, os dois rivais se encontraram reunindo cerca de 20.000 eleitores na praça central de Yerevan, capital deste país pobre e montanhoso.

"O governo não é capaz de resolver nossos problemas atuais", disse Kocharian a seus partidários na sexta-feira, a quem seus detratores acusam de corrupção após liderar essa ex-república soviética de 1998 a 2008.

A campanha eleitoral revelou uma profunda divisão entre os dois lados e muitos observadores temem protestos e até confrontos após as eleições. O presidente Armen Sarkisian considerou inadmissível "incitar o ódio e a inimizade" e pediu a seus compatriotas que votassem de forma "justa e livremente".


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